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quinta-feira, 5 de junho de 2014

"O Apanhador no Campo de Centeio" por J. D. Salinger - A resenha

The Catcher In The Rye
J. D. Salinger
Little, Brown and Company
214 páginas
(1951)

O livro
Holden Caulfield é um jovem de 17 anos estudante de uma renomada escola para rapazes, a Pencey Prep na Pennsylvania. Aparentemente nada em sua vida deu certo. Fora expulso da Pencey e não deveria retornar para lá após o recesso das festas de fim de ano, o que seria para ele a quarta-feira como seu último dia lá. Após uma briga com seu colega de quarto ele decide ir embora dias mais cedo e após olhar para trás no corredor, enquanto estava indo embora, e gritar "Sleep tight, ya morons" para que todos no prédio pudessem escutar, ele vai à estação pegar um trem para Nova Iorque.
Em Nova Iorque que conhecemos as pertubações e intrigas vividas por Holden na sua cidade e o medo que vive de estar só e da eminente rejeição dos seus pais por ter sido expulso de mais um colégio.

A escrita
"O Apanhador no Campo no Centeio" é normalmente mencionada por ter um vocabulário pesado e descrições desnecessárias que fizeram com que o livro fosse banido em alguns países e se tornasse o mais censurado e banido nos colegiais (high schools) dos Estados Unidos.
Contudo, apesar de ter sim um vocabulário cheio de "palavrões" assim por dizer, eles não têm a mesma reprovabilidade hoje. Salinger utiliza vários termos comuns do inglês coloquial à época como "flit"-homossexual, "phony"-hipócrita e "give her the time"-ter relações sexuais, e são esses termos que criaram essa reprovação e má recepção inicial que o livro recebeu ao ser publicado nos EUA em 1951.
O livro foi publicado no Brasil em 1965 - Em Portugal apenas em 2011 sobre o título "À Espera no Centeio" e nas várias traduções, os tradutores passaram pelo grande desafio de transmitir os trejeitos e erros gramaticais de Holden e de sua narrativa.

O personagem
Holden é pertubado. Isso foi a única coisa que eu conseguia pensar sobre ele nos primeiros momentos. As suas pertubações contudo não são tão ultrapassadas, elas são comuns entre as pessoas e viajam pelo tempo junto com o livro que até hoje é consagrado como um dos 100 melhores livros da língua inglesa. O que há de mais atual do que um jovem que não consegue se adaptar nas escolas? Ou quem não sabe exatamente o que quer fazer da vida? Caulfield é para si seu próprio inimigo. A sua auto-crítica e sua apatia o tornam quase um sociopata. Para ele todas as pessoas são hipócritas, fazem cenas e são artificiais, e foi com esse pensamento que ele brigou com seu colega de quarto, Stradtler, simplesmente por ele ter saído com uma antiga amiga sua, Jean. E para Holden, Stradtler não era bom o suficiente para ela.

O enredo
O enredo segue um ótimo ritmo aliás. Desde a Pencey Prep até o final do livro ele passa por eventos que vão nos definindo quem é exatamente Holden e o que ele quer. As suas doenças ficam em destaque cada vez que ele interage com os outros personagens e isso é o que eu achei mais fascinante no livro. Salinger consegue construir essas cenas fantásticas que eu não pude evitar de sair marcando no livro todo. A capacidade do autor de conseguir criar na mente dos seus leitores esses cenários é notável. Não só marquei passagens favoritas como cenas inteiras.
You never saw such gore in your life. I had blood all over my mouth and chin and even on my pajamas and bathrobe. It partly scared me and it partly fascinated me. All that blood and all sort of made me look tough. I'd only been in about two fights in my life, and I lost both of them. I' not too tough. I'm a pacifist, if you want to know the truth. (pp. 45-46)
Você nunca viu tanto sangue na sua vida. Eu tinha sangue pela boca e no queixo e até no meu pijama e no roupão. Isso meio que me assustava e me fascinava. Todo aquele sangue e tudo aquilo me fazia parecer mais durão. Eu só estive em umas duas brigas na minha vida, ambas eu perdi. Eu não sou durão. Eu sou um pacifista, se você quer saber a verdade.
Não poderia contudo terminar esta resenha sem mencionar uns fatos bizarros envolvendo assassinos que dizem ter sido influenciados por "The Catcher In The Rye". Por exemplo, o assassino de John Lennon lia este livro minutos antes de matá-lo e o atirador que tentou matar o presidente norte-americano Ronald Reagan também tinha feito a mesma coisa, afirmava que havia tirado do enredo a ideia de matar o então presidente. E devido a esses fatos que o livro ganhou boa parte de sua fama na cultura popular, como por exemplo em um episódio do desenho animado "South Park", "A Historia de Scrootie Sodomita".

Conclusão
Apesar de ter comprado esse livro mais fascinado pelo preço e pela história que envolve o livro, eu me fascinei pela história. Fiz sete marcações num livro de duzentas páginas, tem muito livro que leio que pouco me importa as cenas ou citações do autor, mas eu queria poder pegar o livro e retornar ao que eu acredito ser minhas cenas favoritas.
Contudo, houve vários momentos que o comportamento do personagem me deixava cansado. Se não fosse um livro da década de cinquenta, eu diria que era mais um drama adolescente - exagero meu. Havia aqueles momentos de vazio no texto que não me animava continuar a leitura, houve dias que lia trinta páginas e deixava para depois. Este livro é um livro one-take, pegou e leu. Refletir demais sobre ele durante a leitura não vale de muita coisa, mas ao fim não há nada mais gratificante que saber que você leu um livro do gabarito que ele carrega desde o ano de lançamento.

O livro 8/10 - Serão mais as críticas do que a própria proposta do livro em si que o farão querer ler o livro.
A escrita 8/10 - Os vícios de linguagem e o xingamento desnecessário podem incomodar bastante
O personagem 10/10 - Um dos personagens mais complexos e bem construídos que já li na vida.
O enredo 10/10 - As suas várias intrigas e como ele se relaciona com as pessoas são o que realmente fascina, o envolvimento da história não foi uma das minhas coisas favoritas sobre o livro, mas ainda merece o mérito.
Total 9/10 - LEIA JÁ!

segunda-feira, 21 de abril de 2014

"Os Treze Porquês" por Jay Asher - A resenha

Thirteen Reasons Why

Jay Asher
Penguin
289 páginas

O livro
Clay Jensen é um garoto com poucas preocupações além das que todo garoto no colegial deveria ter. Até que um dia ele encontra na soleira da sua porta um pacote do correio lacrado. Ao abrir a caixa ele descobre sete fitas cassetes, cada uma com ambos lados numerados exceto por uma que tinha apenas 13. Ele corre para a garagem da sua casa onde encontra uma caixa de som velha com toca-fitas e reproduz a primeira fita, lado A. Quando toca, ele escuta a voz de Hannah Baker, uma garota da sua escola que havia se suicidado há alguns dias. Na gravação ela explica que cada lado das fitas é uma de suas treze razões por ter desistido de viver e se você recebeu a caixa é porque você é uma delas. Além de haver alguém os observando, então caso um deles desistam ou joguem fora as fitas, elas serão divulgadas para todos, mostrando ao mundo o que cada um é realmente.

A escrita
Eu simplesmente não conseguia largar o livro. Jay Asher conseguiu fazer esse formato novo que só com a sinopse é capaz de instigar a curiosidade do leitor.
O mais genial e curioso do livro é a narrativa simultânea desenvolvida pelo autor. A história é narrada tanto pelo Clay Jensen quanto por Hannah Baker através das gravações. Ao que Clay vai escutando as gravações ele vai reagindo e isto é possível porque as duas narrativas foram escritas em momentos diferentes. Asher escreveu primeiramente os 13 motivos de Hannah, criando uma narrativa, e depois escreveu as reações de Clay, e as mesclando ao longo das gravações, entregando uma reação imediata dele.

Os personagens
Clay Jensen simplesmente parece um cara muito legal, e quando você escuta o primeiro motivo - Justin Foley, seu primeiro beijo - parece inconcebível a ideia de que ele possa ter feito algo que tenha levado uma garota a desistir da vida. Dias antes de receber a caixa ele acha um mapa dentro de seu armário no colégio e ele simplesmente guarda para depois descobrir que é um mapa de imersão da história de Hannah Baker.
Agora eu não vou deixar de notar aqui que Hannah parece ser uma menina muito fechada e das várias críticas que o livro recebe, desde 2007, seu ano de lançamento, até os dias de hoje, é que parece que ela tenha se matado "de graça" por assim dizer. É difícil realmente para muitos compreender a mente de uma adolescente e o que é que pesa na sua vida social. Mas é aqui que eu realmente acho que infunda muitas dessas críticas. São fatos que não se repetem, mas mesmo assim muitos podem se identificar com muitos desses motivos e com a vida da personagem.

O enredo
"Thirteen Reasons Why"/"Os Treze Porquês" foi um livro banido nos EUA. Em vários estados norte-americanos sua venda fora proibida por se acreditar que o livro poderia estar induzindo jovens a cometer suicídio. O que se mostrou na prática totalmente oposto. O livro se tornou popular por ter mostrado a vários adolescentes que há um lado melhor de toda história. O livro levou vários a repensar seus pensamentos suicidas a partir de coisas que Hannah Baker poderia ter feito.
Para despertar mais ainda a sua curiosidade aqui vai um vídeo no YouTube com a gravação da primeira fita lado A.



Conclusão
O livro é especial pelo esforço que o autor teve. Eu gostei de tudo que encontrei no livro e minhas expectativas foram além. Cada capítulo me levava a ler o próximo e eu simplesmente me conectei com Clay, o personagem principal, e queria poder da mesma forma "estar lá" por Hannah. O livro é capaz de despertar nas pessoas um sentimento de compaixão não muito esperado. Aqui vão os resultados

O livro  10/10 - Eu descobri o livro na Banned Books Week no meu curso de inglês no ano passado e desde então eu criei essa hiper curiosidade de lê-lo. O vídeo no youtube, a sinopse e as resenhas pela internet são suficientes para fazer com que você queira lê-lo até o final, mesmo sem ter lido uma única página do livro.

A escrita 10/10 - A narrativa simultânea é uma das características únicas do livro que te levam a virar todas as páginas. O livro não teria o mesmo efeito se tivesse sido escrito de outra forma por um outro autor. Asher sabe muito bem escrever um livro.

Os personagens 9/10 - Drama adolescente pode confundir muita gente. As relações sociais são complexas e ainda assim é isso que leva o livro a ser genial. Hannah Baker e cada um dos treze porquês podem facilmente se relacionar com várias personalidades diferentes esperada pelo autor.

O enredo 10/10 -  Jay Asher fez um grande trabalho pré-livro. O autor entrou em contato com várias pessoas para compreender melhor o que se passa na mente de uma adolescente, quais são suas preocupações e entender melhor a psiquê de um suicida.

Total 10/10 - Esse livro é bom demais! Uma leitura obrigatória para qualquer um e principalmente para aqueles que passam por dificuldades nas escolas.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

"Fim" por Fernanda Torres - A resenha

Fim

Fernanda Torres
208 páginas
Companhia das Letras

O livro
Não é necessariamente sobre o fim, mas sobre vários começos e meios de cinco amigos, Álvaro, Ciro, Sílvio e Ribeiro e Neto, homens já na bela idade que rememoram suas grandes aventuras e intrigas, um grande balanço de suas vidas e suas reflexões sobre o fim do outro. Um livro carioca. Bem carioca. Tão carioca que só "a" Fernanda Torres sentada na praia, como o pão de açúcar ao fundo, para poder te dar uma ideia do que esperar sobre o livro.


A escrita

"Fernanda Torres em seu novo papel: o impresso", foi assim que a Companhia das Letras divulgou a estreia da consagrada atriz no mundo literário. Com uma longa carreira na atuação, a carioca Fernanda resolveu arriscar com um papel e uma caneta (ou um computador, tanto faz). A narrativa de "Fim" é sensacional. É de uma leveza, uma descontraída junção de palavras que criou uma história por muitas vezes cômica na mesma medida que ela é trágica. Ela nos arranca do conforto para refletir sobre a vida e da mesma forma nos faz rir e rir livremente.
Agora, eu havia comentado com meu pai sobre um outro lado, acho eu até um pouco vicioso da autora de ser extremamente carioca. Fernanda é conhecida na TV por seu sotaque forte ou por personagens que vivem sempre o sonho fluminense de morar na zona sul do Rio. Uma coisa que me chama a atenção e que me chama a atenção é o uso dos artigos antes dos nomes. Aqui eu posso estar levantando um tapete que talvez merecesse acumular poeira, pois os artigos antes dos nomes é algo bem próprio e bem regional. No nordeste não usamos e provavelmente isso sem dúvidas é o motivo pelo qual li o livro todo com uma sobrancelha levantada toda vez que lia o Sílvio fez isso, o Álvaro comeu aquela, o Ribeiro é um mala. E isso é incomum nos livros num geral também, pois há regras para o uso. Mas vou levantar uma bandeira branca, pois o livro É CARIOCA e ela faz questão de levantar essa bandeira ao mencionar os bairros da cidade como numa novela do Manoel Carlos. E ainda assim eu adoro isso.
Talvez por pura nostalgia. Tenho família no Rio e viajava para lá todo santo ano. Viajei para lá tantas vezes que parei de contar aos 12 anos. Costumava ficar lá quase 2 meses e eu e meu irmão costumávamos trocar os sotaques e os jeitos para evitar chamar atenção, principalmente quando íamos para o Centro (principalmente à Uruguaiana) onde os vendedores não são tão agradáveis com outsiders, sem falar os comentários do tipo "Ah, eu tenho um parente que veio de lá". Simplesmente adotei a cidade natal do meu pai para mim. Até costumo brincar dizendo que assim que Recife for para debaixo d'água não irei para longe de casa, pois sempre terei o Rio de Janeiro.

Os personagens
São cinco homens nascidos de uma mente genial. É incrível como eles são. Todos eles tem  seus gênios fortes que fazem você se esquecer que saíram de fato da cabeça de uma mulher. Seus hábitos e pensamentos são bem próprios da classe e isso só destaca a incrível capacidade de Fernanda Torres de criação. Eles são vivos.
Agora vou levantar um cartão para Sílvio. Eu odeio Sílvio. Sílvio é um c# de pessoa, eu simplesmente o achei excessivo. Uma pessoa não tem como ser assim. Eu não vejo a beleza em ser Sílvio. Não entendo o porquê a sua vida mereça um mérito e tudo nele me incomoda. O jeito como ele objetifica as pessoas, como vive sem limites e é por isso que o acho perfeito. Sílvio é horrível o suficiente para que o odiasse como alguém que eu conhecesse.
Álvaro sim é o meu favorito. Gosto de sua ironia:
Não separo lixo, não reciclo, jogo guimba no vaso, uso aerossol, tomo longos banhos quentes e escovo os dentes com a torneira aberta. Dane-se a humanidade. Não vou estar aqui para assistir. (Posição 138, kindle)
Os cinco compartilham um tipo de amizade invejável. Eles são bem divergentes e ainda assim possuem esse elo invejável por qualquer um. Eu adoraria ter amigos como eles (Exceto Sílvio, não gosto dele :P).

O enredo
Os capítulos se dividem em Álvaro, Sílvio, Ribeiro, Neto e Ciro. Cada capítulo conta história do personagem e se sucede com a morte de outro. Ao longo da história de uns você aprende sobre os outros e são nessas memórias que nós construímos os personagens através de sua intimidade e das lembranças que os seus amigos têm deles.

Concluindo
O livro "Fim" talvez não seja para todos. Acredito que ele necessita de algo a mais para fazer com que as pessoas queiram lê-lo. E isso é algo que faz com que eu fique faltando palavras para conseguir descrevê-lo que me incomoda. Não é realmente um livro genial, mas uma boa leitura do livro de uma grande atriz. Fica aqui meus resultados:

O livro 8/10 - Eu achei o livro meio que um "material Globo". Seu deboche e sua pouca autocensura provavelmente não o levaria a uma adaptação como uma minissérie no canal e isso pode reafirmar para muitos que Fernanda Torres é de fato uma ótima autora e que aguardamos por mais obras.

A escrita 7/10 - Gostei muito da fluidez da leitura, mas ainda a penalizo pelos seus vícios linguísticos.

Os personagens  6/10 - Eu os acho vazios. Por mais que eu acredite que ela conseguiu construir ótimo personagens, eu ainda os acho fúteis, uma futilidade cansativa que se iguala a uma piada contada excessivamente. Eles vivem uma falsa boêmia, acreditam apenas em si e as suas falta de humanidade, acredito eu, são excessivas.

O enredo 10/10 - Sim, aqui vai um 10 porque eu gostei muito do jeito como o livro é construído. Gostei muito da história e das intrigas e, longe de qualquer preconceito, acredito sim que seja uma leitura que valha a pena.

Total 8/10

domingo, 13 de abril de 2014

"Quando Tudo Volta" por John Corey Whaley - A resenha

Quanto Tudo Volta:

"Porque eu estou acordado em um mundo"
John  Corey Whaley
224 páginas
Editora Novo Conceito

Por muito tempo eu simplesmente dividi minhas resenhas em Sinopse e Resenha, hoje eu irei começar a esmiuçá-las para até para ver se me entretenho um pouco mais. Resenharei o livro, o autor e os personagens concluindo sobre o enredo.

O livro
Uma morte por overdose, um fanático religioso e um pássaro "extinto" que reaparece em uma cidade pequena, é mais ou menos assim que a sinopse do livro é apresentada. O livro gira em torno de Cullen Witter e a sua família, principalmente o seu irmão de 15 anos, Gabriel, quem Cullen afirma ser uma pessoa melhor que até o admirar, ele admira. Acontece que um dia Gabriel desaparece e ninguém consegue explicar o porquê e Cullen se vê sufocado pela atenção intensa que a pequena cidade de Lilly está dando ao pássaro Lázaro.

A escrita
John Corey Whaley é um novato no mundo literário. Com apenas dois livros publicados, o americano de 30 anos já conseguiu atingir o mercado brasileiro através da editora Novo Conceito - que também anda dando grandes passos se desprendendo dos títulos altamente voltados para o mercado de jovens garotas adolescentes.
O jeito como Whaley escreve é ótimo. Se você procura um livro bom para ler em um tempo em que você simplesmente não quer se matar com autores cansativos (*cof Dan Brown *cof), Whaley se mostra um mestre nas escolhas das palavras. Eu simplesmente gostei de como sua narrativa é leve e ainda assim ele consegue manter firme as rédeas na sua história e manter o leitor interessado no livro.

Os personagens
No começo do livro eu fiz uma marcação que achei que seria basicamente um resumo sobre Cullen Witter:
O Dr. Webb diz que a maioria das pessoas ver o mundo em bolhas. Isso as mantém confortáveis em seus lugares e no lugar dos outros. O que ele quer dizer é que muitas pessoas, para se sentir bem consigo e em relação às outras, automaticamente dispõem todo mundo em pequenos grupos de estereótipos. É por isso que os garotos que não gostam de esportes ou não praticam sexo indiscriminado são chamados de gays, as pessoas que conseguem boas notas sem estudar são chamadas de nerds, e as pessoas que parecem não se preocupar com nada e têm pouco dinheiro são chamadas de vagabundas. (Posição 137, kindle)
Eu pensei que eu estaria de frente a um personagem introvertido, até porque ele se apresenta como uma pessoa não tão atrativa quanto o seu irmão e isso se prova uma mentira logo depois. Não queria estar me colocando no grupo de pessoas descritas por Dr. Webb, mas eu achei Cullen um personagem difícil de engolir, pois é sim mas confortável que ele fosse uma coisa ou outra, pois fica uma coisa tipo "Ah eu sofro e sou estranho, peraí, deixa eu pular a janela do quarto desta garota com quem eu acabei de transar".

O enredo
Whaley mantém dois núcleos principais um iniciado por Cullen Witter e sua família e outro por Benton Sage, que está no Canadá na Etiópia em uma missão da sua igreja. As duas histórias são muito bem construídas e mantém o mesmo ritmo, o que eu já descobri em muitos livros ser um desafio. Recentemente estive lendo um romance no qual o autor parece ter mais ânimo com um núcleo do que com o outro e isso fica perceptível no momento em que você fica torcendo para aqueles capítulos acabarem. E isso não acontece em "Quanto Tudo Volta", sair de um mundo a outro não torna a história cansativa, simplesmente cria um ritmo bom que faz com que você devore o livro mais rápido e favorece para um incrível fim.
Sim, um incrível fim, eu simplesmente gostei muito de como o livro encerra e não poderei falar nada mais que isso até porque temos que precaver os spoilers.

Concluindo
Não sei se foi só eu, mas eu fiquei com uma sensação de que John Whaley conseguiu um ótimo tema, com ótimas metáforas e paralelos que deixaram de ser explorado. Gostei muito de como Lázaro, o pássaro, incomoda Cullen pois ele está ganhando mais atenção que seu irmão e o momento em que ele parece irritado com sua pequena cidade a ponto de não querer acreditar em segundas chances. Eu gostaria de ter visto maiores desafios na leitura, ficaria sem dúvidas muito bom.
Além do mais, "Quanto Tudo Volta" é um ótimo livro, um lançamento da editora que te levará a uma ótima. Confira abaixo os resultados:

O livro 8/10 - A ideia do livro não achei que foi bem apresentado e isso pode prejudicar atrair a atenção de novos leitores.

A escrita 9/10 - É incrível encontrar novos autores que parecem simplesmente escrever do jeito que mais me agrada, aqui vai honra ao mérito ao novato.

Os personagens 7/10 - Não achei que eles foram bem construídos, parece que uns excedem o seu papel e outros se desenvolvem muito rápido, fazendo com que a gente não entenda bem quem é quem.

O enredo 7/¹0 - Um excelente vira páginas com uma pegada inteligente que não foi bem explorada.

Total 8/10 - Sem dúvidas este é o lançamento que você já deveria ter comprado e lido.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

"1808" por Laurentino Gomes - A resenha

1808

Laurentino Gomes
Editora Planeta do Brasil
408 páginas
ISBN: 9788576653202

Um pouco sobre o livro
Basicamente: Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil.

A resenha
Comecei a ler este livro porque meu pai havia comprado 1889 na última Black Friday e eu simplesmente pensei, "O que é que tem neste livro?". Puxei o livro da estante e agora estou aqui para contar como você deve ler 1808  e como você não precisa necessariamente ser fã de história.
Quando estamos na escola simplesmente escutamos, em 1808 o príncipe regente Dom João VI abandonou Portugal, fugindo de Napoleão Bonaparte, e chegou ao Brasil com toda a comitiva real para o outro lado do oceano Atlântico. Mas quem necessariamente foi D. João VI, porque ele é importante para a história de Portugal e do Brasil?
Em 1808, Laurentino Gomes desconfigura aquela ideia perfeitinha da antiga realeza. Detalhes pessoais e íntimos da família real são expostos no livro da melhor maneira, o que acaba prendendo o leitor da primeira até a última página. Se a história da chegada da família real ao Brasil não te interessar, sem dúvidas descobrir que o único homem a ter enganado Napoleão tinha medo de trovões e caranguejos e que sua mulher, a espanhola Dona Carlota Joaquina, vivia tentando dar golpes em seu marido, sem dúvidas vão prender a sua atenção.
O livro vai além do seu didático tradicional. Perguntas como "E Portugal? Ficou Como?", "Como os brasileiros conviviam com os membros da realeza?" ou o simples "Como era a família real?" são levantadas pelo autor.
Mas também não é só de críticas e fofocas que vive o livro. Nos relatos históricos do período de 1808 à 1822, Laurentino Gomes lembra também da importância da estadia do rei aqui  no Brasil e como inusitado era para o mundo ver uma até então colônia tornar-se berço da sede de um reino unido europeu. O Brasil sem dúvidas não teria desenvolvido tanto se não fosse pela intervenção direta da Coroa Portuguesa e não seríamos assim um grande país de proporção continental se não fosse pelo poder de nossos monarcas durante o século 19.
O livro cultiva reações diversas em seus leitores, e sem dúvidas é uma ótima dica de leitura para todos os geeks de história!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

"Destrua este Diário" por Keri Smith - A resenha

Destrua Este Diário

Keri Smith
Editora Intrínseca
224 páginas
ISBN 9788580574166

A resenha
Eu nem sabia dizer se resenhar um "livro" que não se lê e sim se destrói era válido. Destrua Este Diário é o primeiro diário que você vai querer manter de verdade. Para um homem, sim, não se mantém registros diários de tal forma, mas a proposta de destruir algo sem dúvidas chama a atenção do público masculino. Brinquei até em dizer que é por isso que ele é um sucesso, juntar diário e destruir no título é uma grande jogada.
Para quem acompanha o blog (existe alguém que ainda acompanhe meus posts?), eu havia comentado em vários dos meus posts anteriores (não consegui achá-los) que eu tinha um "xodó" enorme por este livro Wreck this journal que eu paquerava na Livraria Cultura do Paço Alfândega, mas nunca conseguia comprar. Devo ter ido lá umas quatro vezes e folheei o livro. Havia desistido de comprar na livraria para comprar um novinho (que nenhum garoto sem dinheiro tenha folheado pro vários dias) na Amazon gringa, estava esperando chegar aquela semana mágica do cartão de crédito em que a conta só vem um mês depois quando soube que a Editora Intrínseca havia publicado o bendito livro no Brasil.
Quando entrei de férias fui à Livraria Cultura e comprei um exemplar para mim. As perguntas são diversas, Por que compraste um livro de R$25 para destruir ele apenas?, Qual a lógica?, Por que que você não vai ver um psicólogo? Mas enfim...
A Editora Intrínseca publicou uma entrevista com Keri Smith no blog da editora na qual a autora explica o conceito do livro:
"Tenho grande admiração pelo trabalho do grupo Fluxus, que criou o conceito de “happenings“, eventos que ao mesmo tempo celebram o absurdo da vida e promovem o deleite com o mundano.
Estou ridicularizando um pouco o consumismo (comprar algo para depois destruí-lo).
É uma forma de transpor bloqueios criativos, levando-nos muito além do medo da página em branco.
Acredito que pequenos atos de rebeldia no cotidiano podem acabar evoluindo para atos maiores, capazes de transformar vidas. Quando você começa a questionar coisas em pequena escala, passa a questionar tudo.
Eu queria criar um livro que se baseasse no uso de qualquer coisa que esteja à nossa volta no momento (fazendo com que as pessoas notem coisas que talvez não percebessem). Há páginas que pedem para ser sujas com lama etc."

Meu Diário
Eu achei irado. Até meus 14 anos eu gostava muito de "criar coisas", na falta de uma palavra melhor. Quando criança assistia muito Art Attack, pode parecer bobo, mas me influenciou o meu imaginativo.  Envelheci e passei a "brincar" menos com a arte, fiquei sem fraça, ainda tenho um caderninho de desenhos onde rabisco imagens aleatórios como gente morta personagens dos livros e meu moleskine onde está uma outra coleção de rabiscos e textinhos que escrevo aleatoriamente.
Destrua Este Diário me fez recordar do quanto eu gostava de passar horas criando, neste caso, destruindo.
Este livro é um diário exatamente porque a forma como a pessoa destrói diz muito sobre ela. Keri Smith mostra que até destruindo nós somos capazes de  colocar um pouco de nós. Eu ainda não terminei de destruir o diário, tem muita coisa que quero fazer que faltam material ou a oportunidade (sim, estou falando da escassez de W na língua portuguesa que tá dificultando eu fazer uma das páginas), algumas páginas incompletas, mas estou terminando aos poucos e aqui vai uma coleção das minhas páginas favoritas. (as cores desbotaram por causa da câmera)



Este diarinho é bastante popular no mundo todo. Vários donos compartilham na internet suas criações e suas páginas do diário. O Tumblr então é um reduto de diários destruídos, dê uma olhada aqui, quem sabe você não decida começar um diário também?

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

"Gringo" por Airton Ortiz - A resenha


Gringo

Airton Ortiz
Editora Record
352 páginas
ISBN: 9788501400529

Um pouco sobre o livro
Victor é um brasiliense de boa vida. Filho de um militar e de uma senhora muito atenciosa, Victor está viajando no "exterior", apesar de estar no Paraguai, ele está tendo a sua primeira experiência no interior. Ele espera pelo resultado de um concurso público que resultará para ele uma vida estável em Brasília. Enquanto sua vida não se resolve ele experiencia sua primeira experiência como mochileiro.

A resenha
Airton Ortiz é mais conhecido por seus relatos de viagens aventurosas. O gaúcho nascido no interior do município de Rio Pardo criou o gênero jornalismo de aventura e é um renomado jornalista. "Gringo" diferente da maior parte de suas obras é uma ficção que narra a história de Victor.
Primeiramente vou deixar bem claro que Victor deve ter sido um dos personagens que eu tive a pior primeira impressão. Ele é extremamente racista, esnobe e sobretudo mais um típico brasileiro arrogante. Na minha opinião os personagens refletem um pouco sobre o seu criador, e concluo que o que para mim são afirmações preconceituosas de Victor devem ser algo mais cotidiano para Airton Ortiz.
Victor corre atrás de estrangeiras, objetifica as mulheres, julga os nativos dos países pela cor de sua pele e situação financeira. Mas quem poderia dizer algo? Victor é um retrato da "pseudo-elite brasileira" (corrigindo Carlos André Moreira em sua crítica ao livro no Zero Hora), classe média alta, morador de Brasília, recém-formado em Direito que passou num concurso para o Senado, atormentado por um pai militar que impessoalmente o chama de "O general" que provavelmente também deve ter sido um escroto. (EI! Eu tenho 18 anos, posso xingar as pessoas sem motivo algum).
Comprei este livro na Livraria Saraiva no Shopping Barra em Salvador, quando estive de férias lá estava com minha família hospedado numa pousada no bairro da Barra que, numa primeira impressão, é um bairro enfurnado de turistas de todos os lugares. Tivemos um problema para achar a pousada assim que chegamos à Salvador, as ruas da cidade são meio confusas e a ausência de ruas paralelas ou até mesmo de quarteirões quadrados parecem não incomodar a vida na capital baiana. Acabamos tendo que passar por 3 pousadas, 1 hostel e 1 hotel até chegarmos na Pousada Acácia (pousada de primeira aliás). Na passagem pelo hostel vi pelas paredes fotos de pessoas de todo o Brasil e do mundo. Haviam cartazes de passeios aleatórios destinado à mochileiros de passagem.
Aí que criei um interesse em entender um pouco sobre essa experiência que me levou a este livro colorido que me chamou a atenção nas estantes bagunçadas de um livrarias às vésperas do Natal.
Por isso que adorei o livro. O livro é mais do que um relato dos incríveis lugares na América do Sul que comumente ignoramos aqui no Brasil, o livro é sobre como um homem arrogante (escarrada no chão para enfatizar) vai amadurecendo suas ideias ao longo de uma viagem onde ele se conhece. Invejo até as amizades que ele faz ao longo de sua longa viagem, começando com o holandês Vincent, que parece ser bem interessante.
Se um livro já uma viagem, "Gringo" é uma leitura para renovar suas prioridades e quem sabe programar uma viagem interessante aqui mesmo no nosso continente.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

"As Vantagens de Ser Invisível" por Stephen Chbosky - A resenha

As Vantagens de Ser Invisível

Stephen Chbosky
Editora Rocco
224 páginas
ISBN: 9788532522337

Um pouco sobre o livro
Charlie é um garoto de 15 anos que está entrando para o ensino médio. Seu melhor amigo se matou e ele está só pelo colégio. Charlie está a margem da vida, ele observa as pessoas e “torce” por elas, desejando sua felicidade ou que as coisas aconteçam. Mas chega uma hora que você não pode mais estar na margem, que você precisa se jogar para o centro da sua vida.

Talvez a resenha abaixo não seja aquela resenha que tente fazer com que você compre/leia um livro, resolvi abri uma exceção aqui para falar sobre coisas maiores e fazer com que você entenda porque gosto deste livro e porque talvez você venha a gostar. Fiz como sempre faço, organizei os tópicos, fiz meus pontos e aqui estã0, mas uns dependem da leitura de outro, então, por favor, leia tudo e ligue os pontos.

A resenha
Eu queria ter dito que eu li o livro antes do filme, pena que isso seria uma grande mentira. Eu assisti à adaptação diversas vezes e eu o adorei todas as vezes e decidi que iria ler o livro. Como havia dito, eu gosto muito do personagem Charlie, eu vejo as suas dificuldades e manias refletidas em mim e acredito que é fácil para qualquer um se identificar com ele de várias formas. E não, não fui supostamente abusado por alguém quando menor ou sofri qualquer trauma que venha a psicologicamente me danificar seriamente.
O livro não é igual ao seu romance regular. Ele é formado por um conjunto de cartas escritas pelo protagonista destinadas a um amigo, e isso isso faz parecer que ele escreve para o seu melhor amigo morto, mas logo se entende (talvez) que esse amigo é o leitor, pois você não o julgaria como pessoas que o conhecem o fariam. Ele confia tanto nesse amigo a quem escreve que o diz intimidades como suas descobertas sexuais e elementos mais intrínsecos de seus relacionamentos.
"Só preciso saber que existe alguém que ouve e entende, e não tenta dormir com as pessoas, mesmo que tenha oportunidade. Preciso saber que essas pessoas existem". (p. 12)

Eu não acreditei que as cartas consigam representar uma história vivida, fazer com que mesmo que elas tenham grandes intervalos entre si se consiga fazer com que o leitor junte todos os elementos. Todas elas são escritas um ou dois dias depois dos eventos, dessa forma, os sentimentos e as confusões do personagem são bastante influenciadas pelos acontecimentos anteriores e imprevisíveis e imediatistas em relação ao futuro. Não há o conhecimento futuro, apenas o passado próximo e isso trás toda aquela carga confusa da cabeça de Charlie. Quando ele escreve ao amigo sobre o que o aconteceu na tarde anterior, ele ainda cultiva dúvidas sobre o que deve vir amanhã e se arrepende ou se vangloria do dia que se passou.
Os sentimento de Charlie estão à flor da pele. O garoto de 15 anos, e logo 16, parece ter um transtorno sentimental terrível que faz com que ele se julgue pesadamente e chore por motivos que nós acreditaríamos ser extremamente tolo. Em alguns dos momentos do livro isso se torna irritante, nem tudo na vida se resulta num choro e nem tudo na vida se resulta em sentimentos tristes, mas mais uma vez... ele não sabe ao certo o que sente em relação a si. Do nada vinha lá "e eu chorei" eu estava ficando louco! P*rra! De novo! Segure-se!
"Então, esta é a minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim." (p. 12)

E é mais ou menos aí que eu começo a me conectar com o personagem. 2012 foi marcado por acontecimentos fortes para mim, foi uma grande linha divisória e eu passei pelo meu próprio luto. Eu sentia um medo muito grande de deixar as coisas para trás, deixar que as coisas simplesmente virem lembranças e acreditar que de agora em diante eu tenho que ser algo diferente para poder ser feliz. Ali eu criei uma grande linha divisória e me referiria a tudo que aconteceu em 2012 para trás como "àquela época". Tive a honra de ser o orador da minha turma e no discurso de formatura eu escrevi isso, que eu sentia uma necessidade de ser infinito, eu não queria ter que seguir em frente naquele momento e eu sentia que as pessoas ao meus redor também não e eu me preocupei se eles estavam realmente felizes com o que faziam e se o mundo era assim, uma grande reunião de felicidade sendo coagida.
Invisível. Isso é o que Charlie era. Invisível pois escutava a todos e nunca dizia nada a ninguém a não ser sobre ele mesmo. Assistia a vida de todos e criava preocupações alheias. Ele realmente era invisível, ficava no canto com sua própria dor mas se preocupava em cuidar dos outros. Sua nulidade é a grande questão.
O curioso sobre o filme é que ele teve seu roteiro escrito e foi dirigido por Stephen Chbosky, o autor do livro, por isso que o filme é tão "literário" quanto o seu livro. O mesmo Charlie que gostei bastante nos filmes se encontra nas cartas neste maravilhoso livro de Chbosky. Gostei muito de ver a boa qualidade que uma adaptação de um livro fica quando seu próprio autor tem grande controle sobre ele. E ao final do filme é dito "Nós somos infinitos" ao final de uma fala que resumia tudo que sentia e as grandes confusões que eu tinha e isso me remeteu ao texto que havia escrito para a formatura. Há tantos outros elementos que eu me identifico com o personagem, mas não gosto de escrever sobre mim tanto assim, então voltemos ao livro.

Meu trecho favorito
"Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer coisas. E podemos tentar ficar bem com elas." (p. 221)
Há muito neste pequeno livro que ocupa agora o lugar de meu livro favorito. Um livro fantástico com grandes personagens e uma grande narrativa. Talvez não seja nada para uns, ridículo para outros, mas talvez seja muito para alguns.
E se você for um desses alguns, eu gostaria muito que lesse e que entendesse do jeito como entendo.

domingo, 20 de outubro de 2013

"Cidade de Vidro" por Cassandra Clare - A resenha

City of Glass

Cassandra Clare
Editora Simon & Schuster
560 páginas
Isbn: 9781416972259

Um pouco sobre o livro
Clary precisa salvar a vida da sua mãe e para isso terá que viajar para a Cidade de Vidro, onde encontrará Ragnor Fell, um bruxo que despertará Jocelyn. Já seu irmão, Jace, não quer que ele vá para o lar dos Caçadores de Sombra, pois acredita que a Clave* possa querer abusar de seus poderes e ela não saberá se defender. E no meio de toda esta confusão se encontra Simon, que após poucos dias de ter se tornado vampiro descobre que pode andar sob a luz do sol, o que levantará perguntas a muitos.

A resenha
Quando se ler uma série em que os livros demoram um pouco para serem lançados normalmente você sempre pensa que se passaram ao menos 12 meses para as novas aventuras. Assim foi com Harry Potter e Percy Jackson. No terceiro livro da série já adaptada para os cinema (o que resultou num adesivo promocional na capa do meu livro - vide a imagem da capa) faz apenas uns 30 dias que tudo começou. Em que Clare entrou no Pandemonium e encontrou um grupo de adolescentes que lutavam contra uma criatura. Ainda inocente de toda a situação, CLare toma atitudes egoístas, mas determinadas a um único objetivo, salvar sua mãe.
Em "A Cidade de Vidro" nós conhecemos... A Cidade de Vidro, Alicante, protegida pelas Torre Demoníaca*, o lar dos Caçadores de Sombra, a capital e a única cidade de Idris. Em Alicante, todos são protegidos de todos os perigos e com um alto controle de entrada, onde a maioria dos Nephilim* foram criados. E é Idris para onde Clare tem que ir.
City of Glass tem um ritmo ótimo, mais denso do que seus anteriores, eu simplesmente não pude deixar de perceber como Cassandra Clare consegue estruturar o livro de uma maneira que não o torne cansativo. Parece besteira, mas é difícil encontrar autores de livros tipo aventura fantástica que consigam manter o livro constante. Eu simplesmente não conseguia largar o livro, e me culpo até de ter deixado de estudar para terminar de ler um capítulo só e quando me vi estava já indo para o quarto capítulo.
Ter se tornado Daylighter* renovou Simon, como disse Raphael Santiago, líder dos vampiros, a maioria dos vampiros reconhecem a sua morte, e Simon não o conseguia. Se Simon não admitiria estar morto, eu sim. Quando ele estava preso dentro do quarto sendo um zé ninguém no livro anterior, eu o imaginava atuando dali de dentro ou tendo que alterar todo o cenário para a noite para conseguir fazer com que Simon voltasse "a atuar". Saibam que ele é meu personagem favorito.
O livro é muito emocionante. A angústia de Valentine estar possivelmente aprontando algo, o medo de não conseguir salvar Jocelyn a tempo e a estranha relação entre Jace e Clare que simplesmente é incestuosa faz com que o leitor esteja imerso no livro mais uma vez.
"Cidade dos Ossos" (2013), o filme foi alvo de muitas críticas por ter sido adaptado para se tornar um "produto" para um público semelhante ao que "Crepúsculo" (2008). Eu já o temia. Quando a personagem principal é mulher e por acaso envolve um romance meio proibido, facilmente se cria esse tipo de fanbase. Estou sim me limitando ao livros porque gosto muitos. Quando li o primeiro eu vi em The Mortal Instruments uma série que substituísse (em uma escala bem menor) o que Harry Potter foi. Mas foi apenas um grande engano. O filme uma aceitação que eu esperava, então por isso, eu estarei lendo os livros me focando na vida dos shadowhunters e na batalha contra essa ideologia maluca de purificar os nephilim.

As palavras marcadas com * foram retiradas direto da versão original ou traduzidas por mim. Me ajude a corrigir comentando aqui embaixo. 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

"Harry Potter e A Câmara Secreta" por J. K. Rowling - A resenha

Harry Potter e A Câmara Secreta

J. K. Rowling
Editora Rocco
256 páginas
ISBN: 978-85-325-2785-1

Um pouco sobre o livro
Harry Potter vai para seu segundo ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, mas antes das aulas começarem ele fica na casa de seus tios trouxas que o odeiam. Ainda na rua do Alfeneiros, número 4, ele conhece um elfo doméstico, Dobby, que o avisa a não ir para Hogwarts, pois lá ele estaria em perigo. Disposto a enfrentar qualquer que seja o perigo que este elfo o fala, Harry toparia qualquer coisa para se ver livre dos Dursley.

A resenha
Em "A Câmara Secreta" nós fazemos a nossa primeira visita ao cotidiano mágico, fora do castelo de Hogwarts. Após uma fuga num carro voador, Harry chega À Toca, onde ele se fascina pelo cotidiano dos Weasley.
Eu estou adorando ler Harry Potter, até comprar esta coleção de colecionador, eu só havia lido A Pedra Filosofal (que foi meu primeiro livro que li) e A Câmara Secreta e O Enigma do Príncipe (qual eu tenho na versão britânica) mas com não tenho o costume de reler (sério, nunca releio nada) eu sinto como se esta fosse minha primeira vez lendo HP. Assisti, até então, apenas os filmes, e foi assim até hoje, foi até o porquê de eu ter lido A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta, os li antes do lançamento do filme porque não conseguia simplesmente esperar.
A Câmara Secreta é sem dúvidas um dos que tem um cenário assustador. Uma entidade racista petrifica os alunos, e ainda mais, vive numa câmara abaixo de um banheiro abandonado da escola que ninguém frequenta por causa de uma alma de uma garota morta ali mesmo. Gente, não culpo ninguém por nada, mas isso é assustador para crianças. E as escritas com sangue sem dúvida nunca auxiliaram em muita coisa.
De todo jeito, é exatamente isso que é Harry Potter, é você rir, sentir medo, ter coragem e seguir em frente. Eu fico louco lendo estes livros, não consigo fazer outra coisa e sempre fico pensando na história. Por mais que soubesse como ele ia terminar, eu ainda fiquei torcendo para que as mandrágoras estivessem prontas a tempo e estava curioso para saber se Draco era ou não o herdeiro de Slytherin.

sábado, 5 de outubro de 2013

Li até a página 100 e...#37 - A Câmara Secreta

Li até página 100 e… é um meme literário semanal do blog Eu Leio, Eu Conto. Esse meme funciona como uma pré-resenha.





acamarasecretaHarry Potter e a Câmara Secreta


J. K. Rowling


Primeira frase da página 100:




"- Muito bem, pode ir, e não diga uma palavra, não que... mas, se você não leu, vá logo, tenho que fazer o relatório sobre o Pirraça, vá..."



Do que se trata o livro?


Harry Potter vai para seu segundo ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, mas antes das aulas começarem ele fica na casa de seus tios trouxas que o odeiam. Ainda na rua do Alfeneiros, número 4, ele conhece um elfo doméstico, Dobby, que o avisa a não ir para Hogwarts, pois lá ele estaria em perigo.


O que está achando até agora?


Eu gosto muito de ler Harry Potter, não há nada melhor, e agora que eu estou lendo um por um, a maioria pela primeira vez (dos 7 só tinha lido 3), eu estou me sentindo de volta ao começo. Resolvi ler Harry Potter para tirar este atrasado de 3 meses sem conseguir terminar de ler um livro e o recesso de uma semana que estou tendo agora tem ajudado bastante.


O que está achando do(a) protagonista?


Harry Potter agora criou vínculos fortíssimos com Hogwarts, ele se sente mais bruxo do que nunca. Quando ele conhece A Toca, eu acho interessante como ele fica fascinado por poder viver a magia no dia-a-dia. Realmente eu também estaria louco por isso.


Melhor citação até agora:




" Nunca confie em nada que é capaz de pensar se você não pode ver onde fica o seu cérebro." (p. 243)



Vai continuar lendo?


Meu querido! Deixa eu terminar aqui meu livro em paz...


Última frase da página:




"O rosto de Nick Quase Sem Cabeça se abriu num grande sorriso"


quarta-feira, 17 de julho de 2013

"Pequeno Irmão" por Cory Doctorow - A resenha

Little Brother

Cory Doctorow
Tor Teen
397 páginas
(2010)

Um pouco sobre o livro
Marcus Yallow é um garoto bem inteligente de São Francisco, Califórnia. Além de várias bugigangas que faz para ultrapassar obstáculos tecnológicos, como o fato do seu notebook ser da escola e ele conseguir conversar com seu amigo, Darryl, por mensagens criptografadas.
Um dia, ele e Darryl decidem matar aula para irem atrás de pistas para o seu jogo ARG (Augmented Reality Game) favorito Harajuku Fun Madness. Quando estavam se reunindo próximo ao ponto onde a pista do jogo estaria ele se assustam com o barulho de explosões, logo todos estão correndo desesperadamente e eles se descobrem no meio de um cenário de um ataque terrorista a uma ponte de São Francisco. Ao correrem da multidão eles são pegos por guardas que os levam para uma prisão a fim de alguns questionários sobre o que eles estavam fazendo naquele lugar. Estando no lugar errado na hora errada, Marcus agora irá enfrentar a DHS (Department of Homeland Security) junto com usuários de uma rede de internet segura que ele criou através de Xboxes (a Xnet), os Little Brothers, juntos lutaram pelo direito de privacidade e de um país onde todos sejam livres.

Resenha
O que me fez adquirir o Humble eBook Bundle foi sem dúvidas por causa da oferta de um livro de Cory Doctorow. Cory é canadense e é um blogueiro popular no mundo da internet. Ele luta pelos direitos autorais livres, compartilhamento de arquivos e também fala muito sobre a liberdade do uso da internet de cada um.
Este livro está bastante sintonizado com os acontecimentos recentes, como a descoberta do PRISM, ferramenta usada pelo governo estadunidense (mais necessário a NSA) para monitorar todo e qualquer informação compartilhada atrás de palavras chaves em busca de terrorista. Eu comecei o livro não pela capa e sim pelo nome do autor, não sabia muito sobre o que iria ler. Quando Marcus vê a sua cidade sendo assombrada pela DHS ele percebe quem está no poder e quem deveria estar lá.
Marcus Yallow é estranhamente inteligente para a idade dele. Apesar de ser um nerd, acredito que Cory Doctorow põe bastante de sua personalidade sobre o personagem, o que faz com que ele tenha uma experiência que vai além do que (eu acredito que) algum garoto de 17 anos teria. De toda forma, Marcus é incrível e ainda assim um adolescente. Os seus pensamentos são visíveis e a rebeldia está presente em todos os seus pensamentos.
A ideia de que um garoto se incomode tanto para proteger a sua privacidade tecnológica também soou um pouco bobo para mim. Aliás se a DHS só queria saber informações para que chegasse ao terrorista da ponte, qual realmente é de fato o problema disso. Acontece que com os tempos nós começamos a nos importar pouco sobre o que fazemos com o computador. Talvez seja por causa das redes sociais que nos fez acreditar que a privacidade não existe, mas ela É IMPORTANTE E TODOS DEVEMOS TER!
O mais interessante do livro é a junção à ficção de elementos reais como uma introdução à criptografia, RFIDs (ou arphids) e a cultura nerd ARGs e LARPs (Augmented Reality Games e Live Action Role Playing) que são variações do RPG (Role Playing Games) que muitos desconhecem, mas que logo chamam a atenção após pequenos vídeos no YouTube. Pequenos tweeks e boas dicas também aparecem ao longo do livro e a paranoia é instalada no leitor.
Este livro é oferecido sem DRM (proteção contra cópia e compartilhamento presente na maioria dos conteúdos pagos na internet) e pode ser baixado de graça até em formato PDF ou ePub no seu site craphound.com. De todo jeito ele foi publicado no Brasil pela Galera Record com o título de "Pequeno Irmão".
Neste livro, Cory nos apresenta uma aventura de tirar o fôlego que irá alterá-lo! Como diabos adolescentes irão conseguir provar para o mundo que todo o povo de São Francisco são reféns de um órgão que deveria protegê-los?

quarta-feira, 10 de julho de 2013

"Harry Potter e A Pedra Filosofal" por J. K. Rowling - A resenha

Harry Potter e A Pedra Filosofal

J. K. Rowling
Editora Rocco
224 páginas
2012

Um pouco sobre o livro
Harry Potter e A Pedra Filosofal é o primeiro livro de uma série de sete que marcou uma década. Publicado no dia 1 de Janeiro de 2000 no Brasil pela editora Rocco, os livros ganham fama internacional após o sucesso de bilheterias da adaptação para o cinema lançado no ano seguinte, em 2001.
Harry Potter vive no armário embaixo da escada Rua dos Alfeneiros número 4 com os Dursley, os trouxas mais sem graça que qualquer um poderia conhecer. Um dia ele recebe uma (aliás várias) cartas da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. E logo uma grande aventura se inicia.

Resenha
"Marcos, você não tá atrasado um pouco não?" Então, após 16 anos da publicação original no Reino Unido e 13 anos do lançamento no Brasil eu finalmente decidi ler - de forma cronológica - a série de livros que marcou a década.
J. K. Rowling criou este universo incrível que criou até um esporte novo, o Quadribol, que chega a ser praticado em vários países por fãs da série. Rowling, passou por pequenos obstáculos até a publicação de seu livro como a necessidade de ocultar seu primeiro nome por causa da possibilidade do livro não fazer sucesso entre o público infantil masculino.
É fantástico você observar como os livros de Harry Potter crescem junto com os personagens. Cada livro representando um ano em Hogwarts (cursa-se 7 anos, indo dos 11~12 aos 18~19), nós percebemos como a linguagem é alterada, mas claro que não drasticamente. A Pedra Filosofal é um livro infantil que encanta crianças com a possibilidade de receberem uma carta para Hogwarts (ando esperando a minha desde os 6 anos!).
Informações básicas sobre o mundo são apresentadas logo agora e conhecemos personagens ótimos. O Pirraça, um poltergeist que vive no colégio, é sem dúvida um personagem chave que me fez temer que ele atrapalhasse as idas e vindas noturnas de Harry e Rony apesar de saber do fim. Uma curiosidade boa é que chegaram a gravar uma cena com o Pirraça, mas logo foi cortada da edição final.
Não vou deixar de falar do ótimo trabalho de Lia Wyler, tradutora que ajudou a nos trazer Harry Potter de uma forma apropriada. Elogiada por J. K. Rowling e criticada por poucos fãs, Lia Wyler criou termos e adaptou nomes para uma melhor realidade fonética, Rony por exemplo, no original é apenas Ron, quando pronunciado em português torna-se um som feio e totalmente nasal que prejudicaria a aceitação do público.
Outros nomes também foram alterados como James Potter para Tiago Potter e Ginny para Gina. Além de claro o ótimo trabalho nas palavras-chaves do livro como Quadribol (do original Quidditch), Grifinória, Sonserina, Lufa-lufa e Corvinal (do original Griffindor, Slytherin, Hufflepuff e Ravenclaw) e claro Trouxa (do original Muggle). Há quem diga que a escolha do termo Trouxa foi errada, mas Muggle se equivale totalmente, Muggle é uma gíria criada nos anos 1920 para se referir a uma pessoa comum, ignorante e sem habilidades.
Eu estou animado por ler Harry Potter linearmente!

sábado, 6 de julho de 2013

"Everyone's Reading Bastard" por Nick Hornby - A resenha

Everyone's Reading Bastard

Nick Hornby
Byliner Inc. (Kindle Single)
29 páginas (aproximado)
(2012)

Um pouco sobre o livro
A ex-mulher de Charlie é uma colunista de um jornal popular no Reino Unido. Ultimamente ela tem escrito sobre ele, o chamando de Bastard (Bastardo) para ocultar seu nome, mas isso não foi o suficiente para que todos logos apontassem para Charlie e falassem sobre sua vida pessoal anunciada em artigos cada vez mais ácidos sobre sua pessoa.

Resenha
A Byliner não é bem uma editora. A proposta é reunir autores famosos e populares que escrevam livros curtos que o leitor leia em apenas uma tacada. Os vários livros estão disponíveis no site e podem ser acessados através de uma assinatura de US$9,99/mês garantindo acesso à todo catálogo assim como a possibilidade de ler através de aplicativos para celular. Para os interessados há a possibilidade de experimentar o serviço por 14 dias numa avaliação gratuita.
É difícil falar sobre um livro de 30 páginas, mas tentarei fazer meu melhor.
Em "Everyone's Reading Bastard", Nick Hornby mostra aquela sua escrita sarcástica. Charlie sem dúvida estar chateado com toda a situação, principalmente após Elaine Harris, sua ex-mulher, fala sobre sua vida sexual publicamente. Ele nunca se importou com o que ela escrevia no jornal, mas logo após que um colega o chama de Bastardo ele logo corre para a edição online para dar
Eu quis falar sobre essa leitura curtinha, principalmente para dar esta dica para vocês. Os livros da Byliner sem dúvida vai render ótimas leituras para intercalar aquele livro grosso que anda lendo ou simplesmente porque não ler um Byliner enquanto está na sala de espera do dentista? Acho as possibilidades ótimas!uma lidinha na coluna semanal de Elaine.
Poucos livros chegam a ser publicados fora do site como um Byliner Fiction Kindle Single, mas os poucos que chegaram a ser publicados são sem dúvidas uma boa leitura, sem falar dos preços baixíssimos que variam entre R$4 e R$6. Espero que gostem da dica.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

"Ponto de Impacto" por Dan Brown - A resenha

Ponto de Impacto

Dan Brown
Editora Sextante
448 páginas
(2005)
(Edição Original pela Pocket Books em 2001)

Um pouco sobre o livro
Após vários questionamentos sobre sua utilidade pública, a NASA consegue fazer uma grande descoberta no Pólo Norte que mudará a história. O presidente dos  EUA, juntou um grupo de civis notáveis para comprovar a veracidade da descoberta afim de evitar a sua perda nas eleições que estão por vim. Acontece que antes que qualquer um saiba, essa equipe descobre uma fraude científica que precisa ser notificada ao presidente dos EUA, mas um grupo de assassinos profissionais farão de tudo para evitar isso.

Resenha
Dan Brown se tornou popular após o livro Código Da Vinci que foi alvo de várias críticas. O Código Da Vinci é o segundo livro com Robert Langdon, personagem criado pelo autor. Anterior à essa popular série das aventuras do Robert Langdon, dois livros marcaram o começo da carreira literária do autor. "Fortaleza Digital" mostra uma narrativa ousada e de tirar o fôlego que lançou o autor aos holofotes do mundo inteiro, pena que seu segundo livro, esse que estou pela segunda vez escrevendo uma resenha para vocês, não seja lá uma leitura recomendável.
Rachel Sexton, a personagem principal, é uma mulher inteligente e filha do Senador Sexton, um presidenciável que baseou toda a sua campanha política nos gastos excessivos da Casa Branca com a NASA. Do outro lado dessa corrida eleitoral, temos Zach Henrey, o atual presidente que é fã da agência e não ousará cortar os fundos de financiamento em prol de uma melhor educação para o país.
Na mesma manhã, o chefe de Rachel Sexton, o Diretor do NRO, William Pickering, recebe ordens de enviar Rachel para uma conversa com o presidente. Na Casa Branca o presidente conta para Rachel sobre uma grande descoberta da NASA que salvará sua reeleição, um meteorito que contém fósseis enterrado num iceberg no Pólo Norte.
A grande aventura marcada por várias surpresas e eventos se passa em um único dia, o autor narra cada minuto desse dia, gastando capítulos e capítulos com informações que não afetam em nada a história final, apenas curiosidades inúteis que poderiam muito bem fazer parte de uma das aulas chatas de história da minha professora do Ensino Médio. Para quem não é um leitor rápido, a leitura começa a se tornar muito maçante. Toda vez que os personagens entravam num avião eu tinha um ataque de ansiedade. Dan Brown arrasta até o último bocejo as viagens e pensamentos dos personagens, quebrando totalmente qualquer excitação criada pelo autor em torno de novos mistérios.
Em vários momentos eu pensei "Foda-se!". Os vários capítulos curtos é bastante característico do autor. Os capítulos se alternam entre os núcleos que fazem parte do enredo principal, mas o problema com "Ponto de Impacto" é que os capítulos se enchem de informação inútil seguindo com uma revelação excitante e logo depois, BOOM, ele corta para outro núcleo. Era mais fácil se fossem colocados anúncios entre os capítulos, pareciam mais reclames comerciais.
Em relação à história, eu realmente gostei bastante. Típico. Os mistérios revelados sobre a NASA e outros "segredos" pouco conhecidos (por isso as aspas) fazem com que você se lembre que está lendo um bom livro de Dan Brown. As reviravoltas quase me fizeram esquecer que eu estava odiando muito ter que terminar o livro por questões de orgulho.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

"Um Lugar Na Janela" por Martha Medeiros - A resenha

Um Lugar Na Janela

Martha Medeiros
Editora L&PM Pocket
192 páginas
(2012)

Um pouco sobre o livro
"Um Lugar Na Janela" é mais uma crônica da adorada Martha Medeiros. Neste livro, ela conta sobre as viagens que fez ao longo da vida, marcando os pontos importantes e até com umas boas dicas turísticas.

Resenha
Já no começo do livro, Martha Medeiros deixa bem claro:

"Se você é do tipo que não consegue se maravilhar com o que está vendo porque está mais preocupado com os mosquitos, os remédios, as gorjetas, o fuso horário e em checar os e-mail do trabalho, não viaje. (...) Viajar é para quem tem espírito desbravador, mas se você não tem, não tem." (Local 75)

Isso claro é para não causar constrangimentos, em "Um Lugar Na Janela", o leitor cultiva um desejo enorme por vivenciar novas viagens de uma maneira diferente, quem sabe?
Martha Medeiros é uma gaúcha que começou sua carreira de escritora como cronista no jornal Zero Hora de Porto Alegre. Seu trabalho mais popular é o livro "Divã" publicado em 2002 que originou uma peça, um filme e uma série homônimas todas estrelas por Lília Cabral no papel de Mercedes.
Decidi ler algo de Martha Medeiros quando assisti a uma reportagem na Globo News sobre a sessão de autógrafos desse livro. Em poucas semanas havia adquirido e decidido que iria conhecer um pouco mais sobre a cronista brasileira que vez ou outra se encontra em vários cadernos culturais pelo Brasil inteiro.
Demorei bastante para começar a ler esse livro. Faz bem um semestre desde que o comprei. Nesse meio-termo eu fui lendo resenhas após resenhas para que eu decidisse de uma vez por todas parar de ficar empurrando o livro para o fim da minha fila de leitura. Não me levem a mal, mas sou um garoto de 18 anos que comprou um livro de uma autora popular entre mulheres acima dos 40, aliás minha mãe adora Martha Medeiros. Um dos grandes alívios é que escolhi um tema mais geral, viagens.
Ao longo do livro, Martha conta suas várias viagens com uma narrativa hipnotizante. Página após página você vai criando vínculos com o livro, seja pelo desejo de viajar ou por afinidades logo criadas com a autora.
Não vou deixar de notar que o começo do livro, onde ela fala sobre a sua primeira viagem ao exterior sem seus pais e como mochileira em 5 capítulos, foi para mim muita mais interessante do que o resto. Ao longo da leitura houve momentos que gostei bastante, mas num geral eu fui meio que me desgastando. Consequências das viagens, não da autora.
Eu gostei muito do jeito que Martha escreve. Eu acredito que não há texto melhor para se ler que não seja crônica. É um pedaço da pessoa que ela expõe para criar amigos que você nunca viu. Eu escrevo minhas poucas e muito mal escritas, não gosto de publicá-las, mas seleciono as mais agradáveis para publicar aqui no blog toda segunda-feira.
"Um Lugar Na Janela" é para todos que são ávidos de conhecerem um mundo diferente daquele da sua rotina. Como diz minha citação favorita:

Citação favorita
"Muitas pessoas consideram uma fuga. Para mim, é reecontro." (Local 1982)

quarta-feira, 19 de junho de 2013

"O Hobbit" por J. R. R. Tolkien - A resenha

O Hobbit

J. R. R. Tolkien
Editora WMF Martins Fontes
328 páginas
(2012)
(Edição Original pela George Allen & Unwim em 1937)

Um pouco sobre o livro
Bilbo Bolseiro mora na amigável Colina, além do Água, em Hobbiton. Como todo hobbit, Bilbo não gosta de aventuras, são pouco confortáveis e o faz perder o horário para o jantar. Até que um dia, enquanto estava sentado em frente a sua toca, vem o mago Gandalf, quem conhecia por seus famosos fogos de artifícios. Logo, o mago convida Bilbo para uma aventura e tudo em diante, a sua vida confortável dentro dos corredores redondos de seu lar, é deixado para trás e ele conhece novas pessoas e novos desafios que irão formar uma história que ele contará por muitos e muitos anos.

Resenha
Os Hobbits são seres criados pelo próprio autor. São menores que os anões, mas não tem barba. Têm pés grandes, chatos e cascudos o que torna inútil qualquer calçado. Moram em tocas debaixo da terra nas colinas, mas não são buracos escuros e úmidos e sim casas agradáveis de corredores como túneis redondos onde os melhores cômodos têm janelas para o jardim.
Tolkien almejava uma carreira acadêmica na Universidade de Oxford. Chegou a publicar pequenas coleções de poemas antes de O Hobbit que foi seu primeiro livro. Enquanto marcava certificados escolares ele encontrou um que estava em branco e nesse espaço escreveu "Num buraco no chão, vivia um hobbit" em súbita inspiração. Ao final de 1932 havia terminado o livro e entregou o manuscrito primeiro para seus vários amigos, como o também mundialmente famoso, C. S. Lewis. O curioso é que quem decidiu se o livro de Tolkien seria publicado pela George Allen & Unwim foi um garoto de 10 anos, filho de Stanley Unwim.


Ao longo da leitura você percebe como Tolkien esteve envolvido não só na produção textual como também em toda a aparência do livro. Ele ilustra algumas cenas com seu traço que eu acho muito fascinante e geométrico. Da capa ao miolo, Tolkien se mostra um grande artista. Como invejo a edição limitada de aniversário com a arte da capa original.
Os livros dele sempre têm esse ar de serem épicos e extremamente fantásticos. Quantas resenhas não li que acusavam o autor de ser muito detalhista e do livro ser cansativo. Pois meus queridos leitores eu digo totalmente ao contrário.
Esqueçam o fato do livro ter completado 75 anos no ano passado, O Hobbit apresenta especialmente uma história mais voltada ao público juvenil do que os adultos. Para aqueles que começam a ler os livros por causa dos populares filmes (como eu), fica aquela imagem de leitura pesada porque os filmes são pesados. 3 horas de filme com aventuras consecutivas assustam qualquer um. Mas O Hobbit é o livro que eu recomendaria para qualquer um acima dos 10 anos.
A narrativa é muito agradável e ela apresenta um verdadeiro NARRADOR OBSERVADOR. Lembram desse termo das aulas chatas de língua portuguesa do ginásio? Pois é... estou usando elas mesmos. Tolkien se senta ao lado da sua cama, abre seu livro e começa a ler para você enquanto está deitado pronto para ir dormir.
Sem falar das canções espalhadas em vários versos pelo longo do livro. É aqui que nós vemos que os poemas de J. R. R. Tolkien vingam.
O Hobbit apresenta tantas aventuras e viagens longas que me fazem querer viver uma europa nórdica cheia de seres fantásticos e viajar por aí em busca de aventuras. Essas várias aventuras de fato separam o livro quase que em 3 partes, o que justifica a ganância de Hollywood.

Quer ler uma ótima aventura narrada por um dos melhores autores britânicos? Esse sem dúvidas não vai decepcioná-lo. Eu estou animadíssimo para ler toda a bibliografia do autor que eu mostrarei orgulhoso na minha estante um dia.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

"Admirável Mundo Novo" por Aldous Huxley - A resenha

Admirável Mundo Novo

Aldous Huxley
Editora Globo
398 páginas
(2010)
(Edição Original Editora Chatto & Windus 1932)

Um pouco sobre o livro
O ano é 634 d.F. (depois de Ford) e nos encontramos em um mundo onde as pessoas nascem de proveta, onde uma cultura se alterou em prol da praticidade e da ciência. Num mundo “utópico” com castas que ajudam na economia, a poligamia é o certo, “Admirável Mundo Novo” nos apresenta uma realidade totalmente pura de algo que poderia ter acontecido.

Os conceitos de "pai" e "mãe" são meramente históricos. Relacionamentos emocionais intensos ou prolongados são proibidos e considerados anormais. A promiscuidade é moralmente obrigatória e a higiene, um valor supremo. Não existe paixão nem religião. Mas Bernard Marx tem uma infelicidade doentia: acalentando um desejo não natural por solidão, não vendo mais graça nos prazeres infinitos da promiscuidade compulsória, Bernard quer se libertar. Uma visita a um dos poucos remanescentes da Reserva Selvagem, onde a vida antiga, imperfeita, subsiste, pode ser um caminho para curá-lo. Extraordinariamente profético, "Admirável Mundo Novo" é um dos livros mais influentes do século 20.

Resenha
Aldous Huxley é um autor inglês da famosa família Huxley, família tradicional britânica onde vários de seus membros se sucederam em várias áreas como a ciência, literatura, arte, medicina... Aldous era um dos mais proeminentes da sua família e também o mais proeminente intelectual da sua época.
Antes de continuar a leitura tenham em mente que o livro foi escrito em 1931. Logo depois da Grande Depressão de 1929 causado pela quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, do boom econômico no mundo capitalista que ocorreu após a Segunda Guerra Mundial. O mundo estava ostentando o futuro, as fábricas estavam a tona, e o Fordismo era sinônimo do futuro. Uma época bastante criativa que nós reconhecemos através daqueles anúncios, para nós engraçados, com aquelas bugigangas e previsões sobre o futuro. Apesar de ter ido ao ar em volta de 30 anos depois, Os Jetsons é uma ótima representação das ambições da época.
"Admirável Mundo Novo", nas suas primeiras páginas, se apresenta como uma visão "utópica" - sim, com as aspas e tudo. Conhecemos um mundo como ele seria se ele houvesse sido antisepticamente criado em prol da indústria e ciência, se toda cultura houvesse partido do futurismo e se Deus morresse para que todos não tivessem preocupações morais, vivendo mais para si mesmos. Onde a sociedade consume uma droga, o soma, para que evitassem pensamentos ruins e escapassem da realidade, evitando construção criativa ou qualquer outro tipo de contestamento.
Todos os bebês são de proveta e isso leva ao absurdo da produção em massa, os Grupos Bokanovskys, que são vários fetos criados a partir de um único óvulo fecundado. A sociedade é divida em castas e para isso todos os bebês devem ser condicionados desde sua criação, exatamente, durante o desenvolvimento eles são injetados com material que irão garantir que sejam altos ou baixos, fortes ou fracos, resistentes a maioria das doenças que hoje nos abominam. Quando nascem eles passam por várias outras atividades para que desenvolvam o individualismo e o hedonismo. Aprendem a ver que a morte é comum, que todo mundo pertence a todo mundo e pasmem... eles brincam com brinquedos eróticos ainda na sua infância e riem de como na sociedade antes Ford isso era extremamente abominável.
Como havia comentado na pré-resenha o começo do livro é praticamente uma introdução do leitor à cultura, tudo tem que ser apresentado logo para que ao longo do livro você também ache um absurdo que uma mulher dê a luz e seja chamada de mãe - Meu Ford, que horror! Depois que a cultura é injetada, nós finalmente conhecemos os personagens principais, Lenina Crowne, Bernard Marx e arriscarei chamar John, Sr. Selvagem, por mais tarde que ele apareça no livro.
Ao falar sobre o sistema de castas eu achei que Aldous se mostra ainda um típico homem etnicamente britânico de seu tempo. Por momentos, você acaba percebendo  pensamentos racistas como o fato dos Ípsilons (a casta mais baixa) ser formado em sua maioria por negros ou mestiços de estatura baixa enquanto os Alfas e Betas (as maiores casta) são formados por membros em sua maioria brancos e de estatura alta. Essa ideia é o que torna Bernard Marx totalmente estranho.
Castas
Bernard é um homem de baixa estatura, o que já o torna estranho uma vez que é um Alfa que tem que olhar paras castas inferiores horizontalmente, ou pior, de baixo para cima. Lenina o quer possuir, uma noite com ele, momentos juntos, ela se sente desafiada pela sua singularidade e suas esquisitices. Bernard se sente só, e a solidão é um sentimento totalmente proibido. Após finalmente ceder a Lenina, juntos eles viajam para a Reserva.
Outro ponto interessante sobre a reserva é porque Aldous claramente aplica a Teoria dos Trópicos. As Reservas são locais criados por não serem propícios ao desenvolvimento, então eles isolaram essas áreas para que não houvessem interação entre os membros de lá dentro com os de fora. Dentro da Reserva a vida é primitiva, com partos, casamentos e famílias, mas ao mesmo tempo ela se apresenta terrivelmente rude até para nós, do século 21, já que eles são politeístas e tribais. Para justificar as áreas que se tornarão Reserva, o "governo" escolhe regiões por questões climáticas e geográficas que provavelmente não se adaptariam.
No livro o autor posiciona nossa cultura através dos selvagens que moram nas Reservas. John, um filho de uma Beta que ficou presa dentro da reserva teve a oportunidade de sair e viver o admirável mundo novo. Por isso acredito que ele seja o principal em certa forma. As pessoas se assustam ao verem que ele ora, que ele tem uma relação emocional com uma mulher e a chama de mãe, que ele se apaixona e que cita Shakespeare e outras obras clássicas para justificar sentimentos que não existem, como a paixão.
É uma leitura que o levará a um pensamento totalmente novo, onde a história demora para se desenvolver para que ela possa desenvolver rapidamente. Aldous Huxley realmente é um tremendo escritor, um escritor que conseguiu fazer com que seu livro atravessasse décadas mantendo ainda o aspecto futurista.
Isso ainda vai render outra postagem onde abordarei outros aspectos do livro, mas que não quero adicionar à resenha, atualizarei com o link depois.