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sábado, 7 de junho de 2014

Não me deixem interpretar texto!

Ao longo da minha vida escolar eu fui abençoado com ótimas professoras de português e lembro de cada uma delas com o maior carinho. Além do meu pai que já tentou se engajar numa licenciatura em Letras e hoje em dia ensina voluntariamente língua portuguesa para pré-vestibulandos em uma comunidade carente. Apesar de não ser mestre em gramática ou não conhecer de cor todos os estilos literários e técnicas de redação, Língua Portuguesa é/era minha matéria favorita. Hoje mais do que a gramática e literatura, a história, os dialetos e o valor do português são parte dos meus assuntos de interesse. Quando a faculdade de Direito me dá brecha, eu sempre gosto de ler uns artigos aqui e uns livros lá.
Como por exemplo, recentemente um dos meus temas favoritos começou com uma discussão num fórum na internet onde um cara fez uma das afirmações das quais eu mais odeio: "Nossa língua é o brasileiro". Essa afirmação me fez ler sobre a origem do grupo de dialetos do português brasileiro e resultou na minha descoberta da Galiza e de um grupo de linguistas da região que defendem que seu idioma pudesse ser chamado de "português galego" e tudo isso resultou numa postagem no Gonca livros - "Galego, a nosa lingua?".
Contudo, na mesma matéria que eu amava tanto, tinha lá também os momentos que eu mais odiava no meu período escolar e principalmente no ensino fundamental 2, as aulas de interpretação textual. Eu penei muito nessas aulas. Eu as odiava mais do que as aulas de ensino bíblico. Eu reclamava com minha mãe que não queria fazer a prova porque não era bom nas aulas de interpretação e que aquilo tudo era apenas o mundo conspirando para que eu tirasse mais uma nota baixa na prova. E falo a verdade. As minhas provas eram divididas em sessões: interpretação de texto, gramática, literatura e redação. Quando recebia minha prova eu coletava alguns erros nas outras três partes que somavam com um quase zero em interpretação textual.
Nada era mais assustador para mim, quando minha professora de português anotava no quadro as páginas do exercício do dia e eu já arregalava os olhos pensando: "eu acho que isso é exercício de interpretação", e logo em seguida quando tirava meu livro da bolsa e descobria que meu pensamento anterior era verdade, eu ficava extremamente ansioso e me entediava rapidamente. Meu prédio do EF tinha dois andares e eu estudei no último por três dos quatro anos lá dentro. Quando tínhamos aulas de interpretação de texto eu me levantava, ia ao banheiro no primeiro andar ou beber água no térreo, tudo para que eu permanecesse mais tempo nos corredores. Isso quando a professora não falava que nos liberaria só se terminássemos nossos exercícios ou que estes valiam nota. Aí eu me esforçava para ser o mais mecânico o possível.
Também não serei hipócrita e não afirmar que gostava de fazer os exercícios em dupla simplesmente porque eu conversava a aula toda e me apoiava no meu amigo que sempre conseguia responder de forma que a professora aceitasse. Eu não tinha que responder ou quebrar minha cabeça com interpretações que não me interessavam. Mas também nada me incomodava mais do que assistir uma pessoa interpretar um texto da forma mais errada que eu acreditava que poderia ser, mas ainda assim era o melhor. Eu me roía de ansiedade porque eu era prepotente o suficiente em acreditar que eu faria melhor. 
Nessas aulas, o que eu mais odiava ainda era esse intervalo de tempo exato chamado "a correção". Tudo se resumia na correção. Eu não gostava das aulas de interpretação de texto porque eu nunca conseguia responder da forma certa e na hora da correção nada gelava mais meu sangue quando a professora apontava o piloto (ou pincel atômico como elas diziam) na minha direção e nada me fazia querer desaparecer mais ainda quando a professora entortava o nariz quando eu falava a minha resposta. Eu simplesmente me punia demais.
Na época, eu queria simplesmente poder interpretar o texto do jeito que eu acreditava estar interpretando bem e não queria ser resumido a responder sistematicamente aquelas respostas chatas. Onde? Quando? Como? Quem? Eu queria não ser reprovado porque eu achava que o personagem estava na verdade se sentindo triste e não confuso ou que eu acreditava que um texto poderia acontecer em épocas diferentes e não perder o sentido. Eu queria pode pensar out of the box, como se diz. Eu havia percebido isso pela primeira vez quando falei para minha professora de português "Eu queria interpretar do jeito que a senhora espera, mas eu não consigo" e ela respondeu "Estude mais". Isso me destruía. Não queria que me deixassem interpretar texto porque eu não gostava do jeito como eu o fazia.
Em 2012 decidi que iria pensar "dentro da caixa", e foi quando pedi ajuda a uma amiga minha com materiais ou qualquer coisa que me mostrasse como eu deveria responder para que eu conseguisse me dar bem no meu ano de vestibular. E foi então que aprendi a "interpretar bem".
Hoje, cinco anos depois de ter me formado no EF e dois anos depois do Ensino Médio, eu ainda não consigo compreender o motivo pelo qual avaliam a interpretação textual de um aluno a partir de padrões prontos. Não é esperado que os alunos consigam compreender o texto, mas que eles consigam compreender o texto da mesma forma que muitos o compreendem. Já me falaram que a importância é gerar no aluno o raciocínio lógico-criativo através desses exercícios e que eles precisam de orientação para conseguirem andar nos seus próprios pés. 
Acredito que aula de interpretação de texto se soma ao grupo de problemas que justificam acreditar que o modelo de escola hoje em dia passa por uma crise. A escola (tradicional) não é um lugar onde nasce a criatividade, é uma fábrica cinza de pensamentos prontos onde os alunos que tiram as melhores notas não são os mais inteligentes e sim os que conseguem se adaptar ao sistema. Nessa lógica que a escola vive hoje, nós deixamos presos em recuperações e reprovações essas possíveis mentes criativas que em frente a essas dificuldades acreditam que há realmente algo de errado com elas e não com o sistema.
Não fiquei de todo traumatizado. Não tenho medo de ler um jornal e pensar, não tenho medo de ser crítico e curiosamente hoje em dia uma das coisas que eu mais gosto de fazer é poder escrever resenhas para meu blog literário e poder de fato "interpretar" meus textos. Ainda acredito que não os faço da maneira mais correta o possível e há muita gente que lê o que escrevo que diz que não sei interpretar. Mas eu tenho esse pequeno espaço na internet que durante meu ensino médio e até hoje é onde posso escrever o que penso e o que acho sobre todos os livros que leio sem ter uma professora na minha frente entortando o nariz.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A Cabanga e O Diabo - 1º Dia #1

Postei este texto que escrevi inteiramente no meu blog pessoal, mas como o texto é muito extenso, resolvi postar aqui no blog em partes. Dividi o texto em 1º e 2º dia, cada um divido em suas partes.


Às quatro horas e alguns minutos da manhã, eu acordo nervoso pelo dia que vem. Uma das grandes desvantagens de se alcançar os dezoito anos no Brasil, para um homem, sem dúvidas é essa, ter que se alistar obrigatoriamente. Uma das coisas engraçadas sobre nós, somos livres, mas temos tantas "obrigações" que fazem garantir que a democracia funciona com ou sem nosso interesse. Então resolveram pegar uma porrada de garoto de 18 anos e expô-los a uma bateria de exames inúteis, como um teste para retardados, uma sessão de nudez, uma entrevista sobre drogas e duas horas em pé debaixo do sol esperando a morte da bezerra.


É o quarto dia ao longo deste longo ano de 2013 em que tenho que me reportar a algum lugar aleatório por causa desta documentação de reservista militar que não consigo nunca. O primeiro dia foi lá em março, eu tolo pensei que acabaria ali mesmo e que poderia voltar para casa, fiquei debaixo do sol, às seis da manhã, numa fila com mais quinze outros garotos da zona norte do Recife. O segundo dia, eu deveria voltar ao mesmo lugar para receber designação para um outro lugar, estas coisas não fazem sentido, no dia que fui lá descobri que estavam fechados e deveria ir no mesmo dia ainda para o outro lado da cidade antes das oito horas para não perder nada. O terceiro dia também falhou, cheguei tarde em relação ao cedo, quando cheguei lá já eram mais de duzentos em frente a um trailer onde um pequeno homem gritava o nome de um por um separando entre os que iriam ao cabanga e os que eram liberados por falta de vaga lá. Uns dias mais tarde meu pai vai lá só e consegue o carimbo que me leva para o 7º DSUP, no desconhecido bairro da Cabanga.
Eu não tenho muito noção de direção sobre o Recife. Agora que estão dividindo a cidade em quatro zonas (Cidade, Norte, Sul e Oeste) eu comecei a me situar um pouco melhor do que antes. O colégio que frequentei era no bairro ao lado, os cursos de inglês no mesmo bairro, o shopping num bairro próximo, os amigos também, então logo, eu cresci minha pré-adolescência e adolescência confinado ao pequeno território que os bairros das Graças, dos Aflitos e da Jaqueira formam. Quando me falaram que precisei ir ao Cabanga eu pensei que estaria indo para longe pois me falaram que era no meio do mato e quando cheguei lá, pareceu verdade.


Ao redor da área militar onde fica o centro de seleção militar havia muitas árvores, uma longa mata se alastrava para longe ao horizonte. As casas pequenas e modestas e uma assembleia de deus em construção me falaram que o Cabanga era sem dúvidas muito longe de casa. Como havia dormido no caminho, qualquer coisa era possível.


> Chegada no Cabanga


Só o diabo poderia ter me acordado, não havia pessoa mais mal-humorada num raio de um ano-luz. Torci para que não me acompanhasse ao longo do dia. Quando acordo um pouco, estou passando ao lado de um viaduto e meu pai avisa que estamos no Cabanga, mais a frente encontramos dois ônibus estranhamente parados no meio do corredor e logo vimos uma mulher inconsciente estirada no chão, os motoristas no meio fio e policiais examinando a atropelada. "Bem vindo ao Cabanga" disse o diabo.
Cheguei lá junto com meu irmão (meu gêmeo) sem enxergarmos uma única pessoa, um bom sinal até então, ao passarmos por uma pequena porta encontramos uma fila modesta formada por oito pessoas e olho para Daniel já sorrindo "finalmente acordar cedo valeu de algo".

Um soldado se aproxima e já vai perguntando pelos CAMs (Certificado de Alistamento Militar), eu os tiro de uma pasta lilás e os entrego ao soldado que pede que sigamos em fila indiana atrás dele. Eu acreditei que ele tenha recebido alguma ordem de nos atender mais rápido, o que logo se prova errado, quase entramos numa recepção com no umas cento e cinquenta pessoas sentadas. Meu coração já palpita mais forte, "vou ter que esperar horas e horas, esta manhã vai ser um inferno", o rapaz... tá ok, vamos lá receber ordem.

O diabo me empurra para o fundo da sala, levanto a cabeça e reconheço um amigo no meio da multidão. Nos formamos juntos e é um dos poucos do colegial que ainda me comunico. Aceno para ele rapidamente e me misturo ao cinza da multidão. Logo o soldado da primeira cena entrega para nossa fileira um conjunto de fichas que correspondiam à nossa chamada para pegarmos uma outra ficha.
Se você ainda não percebeu, os militares são bastante burocráticos. Marca-se um dia para se marcar outro. Pega-se uma ficha para se pegar outra. É uma coisa muito sem noção.


Em alguns minutos descubro que me chamarei Número 134 pelo resto da manhã. Em algumas horas finalmente escuto alguém me chamar pelo meu nome novo. Meu irmão e eu nos separamos aqui, ele era Número 105. Formo uma fila com os outros 130s e vamos para dentro de uma sala de aula, nos mandam sentar na penúltima coluna, mas logo um sotaque carioca soa bem alto e nos manda de volta para a recepção. Ele se confundiu com os números.


E lá estava eu de volta ao limbo que era aquela recepção. Meu irmão ainda estava lá sentado umas cadeiras longe de mim, não dava para nos comunicar e como não tinha celular e a televisão não recebia nenhum sinal decente, eu me entretenho escutando a conversa dos outros.


Um grupo de garotos sentaram a frente de mim e compartilhavam fotos de seus filhos. Eram cinco e todos pertenciam à mesma escola estadual. Um pergunta para o outro a experiência de descobrir que será pai e ainda tiram onda de suas ex-namoradas, mães de seus filhos por terem que passar todos os dias com o "pirralha" enquanto iam para o brega "pegá as nêga". Eles sem dúvidas foram assustadores, mas em poucos minutos, meu nome é chamado "Número 134, Número 134!"


Nos mudaram para uma fileira de dez cadeiras em frente a uma sala com uma placa que dizia "Avaliação Física". Pensei "MERDA! É aqui então que rola a nudez." Haviam me falado que eu iria ter que ficar nu no Cabanga, mas nunca levei a sério, há quem diga que temos que ir pro meio do mato comer ração, mas isso não se concretizou glória a Deus. Eu estava com dez outros caras totalmente estranhos que moravam em lados totalmente opostos, em mundos totalmente diferentes do meu, com isso eu conclui: "Essa galera nunca me verá... que seja."

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O Beco da Bosta e as viagens de infância


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Todo santo dia, eu olho este quadro formado por dois azulejos com os dizeres "Beco da Bosta" numa parede adjacente à porta do banheiro da minha casa. Ele simplesmente sempre esteve lá, até quando nós nos mudamos da Tamarineira para os Aflitos, levamos esta plaquinha com a gente e a penduramos no mesmo lugar chato e desimportante, equivalente aonde ele ficava no antigo banheiro, na parede chata e adjacente. Lembro que quando eu era menor, pensava que todos os banheiros teriam alguma frase como essa para indicar que ali havia de fato um beco da bosta ou ao menos alguma frase irônica da mesma forma. Besteira minha...

Nunca vou conseguir dizer em qual ano essa placa chegou na minha casa, nem quando pergunto ao meus pais eles conseguem dizer algo mais exato do que "quando viajamos a São Luís". Apesar dos fatos inexatos, tudo indica de que eu já era vivo e já andava batendo minha cabeça nas quinas das paredes do antigo apartamento.

Além do Rio de Janeiro, acredito que São Luís foi uma das primeiras cidades que adicionei ao meu mapa-múndi infantil. Era mais ou menos assim, Recife ao leste, o Rio ao noroeste e São Luís logo acima, matter of fact, eu posicionava as cidades de acordo com a "quentura" delas, alguém me disse (TV) que quanto mais alto no mapa eram, mais quentes também, e eu achava o Rio o lugar mais quente do mundo (minha opinião ainda não muda) então para mim ele ficava mais a norte do que Recife.

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Enfim... De onde veio esta placa? De uma viagem a São Luís no Maranhão que fizemos quando eu e meu irmão ainda éramos bebês. Acho isso indignante, eu não lembro de nada. E isso é totalmente comum. Crianças num geral vivem uma longa ressaca e só ficam sóbrios aos 10 anos, quando começam a ficar entojadas e arrumarem namorinhos. Essa ressaca nos faz esquecer as grandes coisas que fizemos quando menores que nossos pais contam através de fotos. Isso tudo traz uma sensação engraçada de não conseguir se identificar antes dos 6 anos.

Então quer dizer que eu fui a São Luís?

Sim, mas não. São Luís, Fortaleza, Manaus e Brasília são sem dúvidas cidades brasileiras que eu queria conhecer. Já fui nas duas primeiras, mas não tenho memórias, eu tenho fotos minhas nas praias. Ao menos meus pais não me levaram a um tour na Europa quando eu tinha 2 anos de idade, aí sim teríamos muita a conversar.

Quando mais jovens meus pais gostavam muito de viajar de carro. Eles tinham um carro comprido e quadrado ao melhor estilo anos 80~90 e andavam com três filhos pelas rodovias esburacadas do nordeste nos curtos feriados que encontravam. Hoje em dia nos limitamos a não viajar ou simplesmente irmos para João Pessoa, o que não conta é muito logo ali.

O problema da versão mais aventureira dos meus pais é que, como a grande maioria dos pais, eles deveriam ter criado algum tipo de comprometimento, sem dúvidas algo contratual, em que se comprometessem a repetir todas as viagens realizadas durante o período de ressaca no período quando nos tornássemos adolescentes. Aí sim eu poderia entrar naquele banheiro, olhar para aquele plaquinha Beco da Bosta e relacionar alguma memória mais interessante do que "li porque eu estava usando o banheiro".

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Eu agora quero criar uma história

Então, hoje eu não estou com uma resenha aqui no blog porque eu decidi que eu não iria me escravizar tanto aos livros literários e iria ler qualquer outro assunto. Não, sério! Eu realmente fico me punindo por não ler livros que vão render resenhas no blog. Criei uma paranoia com isso, o que faz com que eu fique contando os dias que eu terminarei lendo um livro para garantir que as resenhas estejam adiantadas umas duas semanas. Essa paranoia me fez sentir obrigado a escrever hoje. Então eu estou mais ou menos esse período de tempo sem continuar firmemente a minha leitura. Leio todo dia sem dúvidas, mas minha leitura é para outra coisa.


Little Brother é sem dúvida um dos livros que mais conseguiu me prender em seu universo até agora. Junto com todos os assuntos abordados no livro, LARP e RPG foram os que tiveram a minha atenção.



Quando eu tinha 14 anos, durante as férias de julho, minha irmã me trouxe o livro Vampiro RPG para que eu lê-se e pudéssemos jogar. Eu fiquei assustado porque era um livro enorme e pesado e eu pouco sabia de RPG de mesa, apenas que havia regras e dados. Eu fiquei curioso e comecei a entrar em fóruns, comunidades (orkut, representa!) e assisti a uns vídeos no YouTube para saber como era. Fiquei louco para jogar, mas nunca consegui ler aquele manual.


Nesse último domingo, meu irmão, minha prima e eu fomos pedalando para o Recife Antigo. Era final de tarde e a ciclofaixa móvel que permite que andássemos de bicicleta seguros até o Antigo já seria retirada, então fomos direto ao ponto, a loja Geek, onde sempre compro meus jogos. Nós iríamos comprar Battlefield, o primeiro da série, da última vez que fomos e compramos Halo Reach (Tag: SnippetyPoem4) eu logo vi, mas verba curta e eu ainda tive que assinar a Xbox live e... ENFIM! Vamos voltar... Enquanto eu estava frustado segurando um capacete na mão e louco atrás de Battlefield eu desisti e fui para a seção de Graphic Novels e lá no meio me deparei com a seção de RPGs.


Não havia acompanhado muito os últimos lançamentos. Sei que D&D é 4ª edição e que Tormenta RPG é bolado, mas nenhum RPG para iniciantes. Logo achei "Guerra dos Tronos RPG" da Jambô, só o fato de ser uma adaptação RPG d'As Crônicas de Gelo e Fogo já chamou minha atenção, abri o livro e fui catucando. Aparentemente GdTRPG é sem dúvidas um ótimo jogo para iniciantes, regras simples, estilo livro e até o uso dos amigáveis dados de 6 faces (ou D6). Falei com meu irmão e logo montamos uma mesa junto com minha irmã e prima.



Desde o domingo eu tenho me dedicado a ler as regras, é um livro de umas 400 páginas muito bem estruturado, com até um momento que ele introduz a noção de RPG de mesa para os leigos. Eu vou ser o Mestre, o cara que narra as histórias, faz os NPCs e auxilia os outros jogadores ao longo da aventura. GdTRPG não tem muitas aventuras prontas como Tormenta e Dungeons & Dragons, mas aí decidi criar uma aventura eu mesmo.


Não usarei grandes aspectos nem da série de livro nem da série da TV porque tenho interesse mínimo por ambos. O sistema apresentado em GdTRPG é bastante neutro e se aplica facilmente em tempos feudais, mas não deixarei de usar as relações que existe entre as casas e o histórico de guerras que também são introduzidos no livro.


O que eu acredito é que adquirir esse hobby fantástico do RPG vai alimentar esse meu lado escritor. Como mestre eu vou assumir papel de escrever e improvisar uma boa aventura (que pretendo me basear nos livros fantásticos que li até agora) e como jogador o mesmo acontecerá. Estou animado para começar a jogar logo que aprender todos os aspectos do jogo.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Proíbe-se sonhar!

Muitas vezes eu cheguei a me questionar se eu não acabei criando uma bolha onde tudo é possível. Eu crio as expectativas, as situações, os personagens, o local, o ano e as emoções. Faço de tudo para acreditar em algo melhor. Talvez minha mente utópica seja de maioria abominável, a única parte aceitável é aquela onde penso sobre ganhar dinheiro para comprar a minha independência num mundo governado por uma geração corrompida.


Sim, eu acredito que façamos parte de uma geração de mudanças. Entre as décadas de 1910 e 1920, meu bisavô Gonçalves Pastich chegou no país para herdar uma fazenda de um parente que há muito tempo havia decidido deixar Portugal encantado pelos relatos de imigrantes que se deram bem em fazendas no norte. Já os pais dos meus avós, Daniel e Adelcina Capella, emigraram de uma pequena cidae do norte de Portugal para uma vida de oportunidades do outro lado do oceano. Na segunda geração da família no país as ambições são inibidas por uma ótima educação que ainda assim fora afetada por crenças populares como a abominação do pensamento crítico, a censura como forma de proteção e a urgência do acúmulo de riquezas. Os sonhos tornaram possível que eu estive aqui, morando na Avenida Rosa e Silva, número 1438 e me alimentando de pensamentos que meus pais acreditam serem ruins.


Comecei a pensar de como seria a minha vida adulta no meu primeiro ano no Ensino Médio. Sabe quando você começa a pensar precocemente sobre o que você vai querer ser para que você não desperdice seu tempo estudando para ao vestibular errado. Eu acredito na viabilidade dos desejos porque um dia eu ouvi alguém falar assim. Se todos fizéssemos o que queremos, um dia todos nós seremos igualmente valorizados e não teríamos que lidar com garotas que andam de bolsa de grife, salto alto, laicra rosa e uma camisa estampada enquanto você passeia num shopping.
Sobre tudo que eu acredito - talvez influenciado sobre todos os personagens, cenários e vitórias que vivem na minha mente - eu acredito na criatividade!
É isso que nossa geração é. As áreas humanas do conhecimento são cada vez mais valorizadas pela nossa geração. Quantos de nós não se envolveram com amigos que fizeram um corte de cabelo individual, ou que se vestiram diferente, ou falavam de uma maneira que prendia a sua atenção. Tive amigos que me contavam sobre o fantástico cinema como arte, outros que falavam sobre sua inovações tecnológicas, alguns contavam sobre soluções tão absurdas que eu poderia jurar que eu colecionei o maior número de amigos loucos durante todo esse tempo. Nós largamos os livros didáticos, aquelas fórmulas matemáticas decoradas, aquela gramática reguladora e abraçamos o imediato.
Quando penso eu o faço!
Provavelmente isso resume bastante o que fazemos sobre nossas decisões nesta vida. Frutos de subculturas como os hippies aos metaleiros, nós deixamos de ser subculturas e passamos a ser a forma padrão de pensar. Ser contra o criativo é voltar aos tempos em que a Igreja determinava se olhar para debaixo de uma caixa emborcada era um pecado.


Nossa vida é planejada. Planejamos que um dia teremos um plano, até lá o mais saudável para mim é ser o que eu quero fazer.


Fazer 18 anos para mim marca um momento em que finalmente adquiro uma responsabilidade sobre meus atos e decisões. Alguns tempos atrás isso significaria que eu precisaria me casar, arrumar um emprego e viver assalariado até o fim da minha vida. Hoje, eu quero aprender! Quero entender sobre tudo que está ao meu redor. Quero moldar o mundo e ser moldado por ele baseado nos vários "Marcos" que vivem na minha cabeça.


Estudar é uma das coisas que mais me acalmam. Não falo daquelas obrigações chatas do colégio. Falo estudar filosofia para entender a magia, a morte, as pessoas e logo em seguida pegar um livro sobre a política pré-renascentista e mais adiante agarrar-me a um livro de um autor clássico só porque me interessei sobre a Inglaterra na época da revolução industrial. Buscar sobre coisas que o interesse não deveria ser banalizado tão gratuitamente como nossos pais e mestres fazem. As faculdades nos auxiliam a nos descobrir de uma forma que nunca achei que fosse possível. Um dia larga-se os livros de matemática e você vai seguir em diante para ser um artista, um arquiteto, um engenheiro, um programador, um biólogo ou um tradutor quem sabe...


No meu mundo se acredita que o tempo que passamos livre é sagrado. Aquele pensamento que tempo livre destrói o conhecimento é o qual de fato devemos banir das nossas vidas. Acredito na reflexão, no descanso. Todos nós merecemos nos livrar de alguns poucos compromissos para que nós possamos aproveitar a vida. Os amigos,a família, a paisagem, a cidade e aqueles bons livros que andam de esperando há tanto tempo.


Meu pai um dia ainda me criticou por estar de férias. Estou até hoje sem saber reagir. Talvez ele esteja falando do tempo em que se crescia algumas décadas nos 60 segundos anteriores à hora do dia do seu aniversário de 18 anos. Realmente aos 18 não estou me mudando da minha cidade como ele fez, aos 20 não penso em ter filhos e aos 25 não tenho planos de estar sentado numa mesa pagando contas.


Marcos Capella, eu, este aqui que vos escreve, só viverá alguns anos. Mais tempo que um cão e bem menos tempo que uma tartaruga. Até que Marcos morra, e eu adote outra persona, eu quero aprender a viver e morrer sorrindo, diante daquele filmizinho auto-biográfico que dizem passar no último momento da vida , satisfeito.


Talvez eu esteja decepcionando alguns pelas decisões que tomo ou deixo de tomar, mas eu sei que para mim, aos 18 anos é isso que eu quero fazer. Eu quero ser aquele aluno de Direito que chega atrasado por causa do ônibus, que dorme na aula de sociologia, come besteira e vive correndo para cima e para baixo na biblioteca atrás de livros que me dizem serem inúteis.


Um dia eu serei grande. Todos nós seremos. Eu acredito nisso. Só gostaria de crescer sem ter uma sociedade me empurrando para baixo com a mão me ditando passo a passo da forma como se viveu 40 anos atrás.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

São João das Ruas

Há sem dúvidas várias coisas que me fazem amar a época do São João. O cheiro da fumaça das fogueiras que impregnam nossas roupas, os fogos de artifício explodindo interrompendo os forrós das velhas senhoras e o fato de que quatro quintos da mesa está repleta de receitas que levam milho.


É na infância que criamos os nossos conceitos sobre tudo. Se houvesse nascido e sido criado no bairro dos Aflitos (onde moro desde os 11 anos), nunca teria boas memórias das festas juninas. Eu estaria com meus amigos falando sobre parentes bêbados andando pela casa inteira enquanto assistia novela com os primo. Mas não foi assim glória a deus.


Meus feriados de São João eram na sua maioria na casa da minha avó no Ibura. Para quem não conhece o Recife, o Ibura é um bairro enorme que se divide entre acá e Jaboatão dos Guararapes. Para quem vem da Zona Norte, pega-se a BR-101 para poder chegar lá e se você for de transporte público, são dois ônibus e um metrô de superfície. A cidade é pequena em si, pelo menos para mim, mas as ruas e avenidas daqui fazem de tudo para evitar que se perceba o seu tamanho diminuto para uma metrópole.


O Ibura se divide em duas partes, Ibura-de-baixo e Ibura-de-cima. Pelo simples fato que boa parte do bairro se encontra em cima de vários morros de barro que em tempos mais distantes eram fazendas de pequenos agricultores da região. O Ibura (O de-cima especificamente), como minha tia fala, é uma cidade de interior dentro da cidade. Ela é isolada e autônoma, quase nunca se precisa sair de lá, e quando se precisa, não se vai muito longe. Lá em cima se encontra mercadinhos, feirinhas, academias, clubes, escolas públicas e particulares, lojas, salões de beleza e ainda as lanhouses. Várias favelas também são encontradas lá, elas se emendam com as ruas através de becos estreitos que descem barranco abaixo. Quando se precisa sair de lá, um ônibus para ir para a Cidade Universitária, outro para a Praia de Boa Viagem e um ônibus integrado (ônibus + metrô) para ir para Cidade, descendo na Estação Central do Recife no bairro de São José.


O Ibura cria esse cenário interiorano não longe de casa que no São João ascende suas ruas com decorações de bandeirolas, balões e claro, várias fogueiras.


Quando criança, me arrumava com uma boa calça jeans e uma camisa xadrez a caráter para irmos brincar com o fogo. Sei que lendo assim, parece até que eu era uma criança no mínimo estúpida, mas eu acredito que as crianças se animam com a fogueira por causa do poder do fogo.


Comprávamos nossos fogos, que pela idade o máximo que podíamos brincar era com as bombinhas Bichas, que faziam um barulho assustador quando era mais novo, mas agora as equiparo com traque de massa. Os traques de massa ainda nos animava bastante. Pregávamos peças como colocar várias debaixo do pano de chão na soleira da porta da frente e esperar alguém tomar um susto. Vou aproveitar para agradecer a todos os adultos da época que fingiram se assustar de fato e fizeram suas melhores caras de raiva logo em seguida.


Claro que quando só se brincava com bombinhas era fácil admirar qualquer um que soltasse as bombas mais fortes, como a bomba rojão e a bomba cordão (que até hoje eu nem ouso estourar). Os garotos mais velhos se exibiam ao retirarem do bolso aquela bola grande arrodeada de vários barbantes coloridos com um pavio curto que compraram escondidos das suas mães. Ai como as mulheres das bancas de fogos se aproveitam dessas cabeças imaginativas... Nos escondíamos atrás dos degraus de calçada da ladeira ou mesmo em um beco estreito colocando o olho para fora para vermos o bloco de tijolo se espatifar. Como é bom isso.


Quando compramos nossa primeira bomba cordão colocamos num buraco numa parede e ficamos impressionados com o estrago causado. Não foi grande a ponto do muro cair, como queríamos, mas o um centímetro a mais no diâmetro já foi uma alegria extrema.


Certas alegrias que bairros como os Aflitos nunca vão proporcionar. Talvez elas sejam uma alegria diferente, mas quando olho para essas crianças soltando fogos dentro do clube com uma caixa de fósforo roubado da cozinha, eu diria que é uma alegria mais segura. Viver isolado nessas caixas que chamamos de apartamento, entre essas ruas agitadas, criam uma bolha em torno da infância.


Em 2011, fui estudar pela manhã, meu colégio ficava no bairro das Graças onde se encontra três dos principais colégios religiosos tradicionais. Como pela manhã as ruas são mais seguras, sempre se encontra as ruas infestadas por crianças e adolescentes vestidos de calça brim azul marinho (cor quase que padrão entre colégios tradicionais recifenses) e camisas pólos brancas. A época de São João coincide com a época em que as escolas começam a liberar os alunos para as férias de julho aqui em Recife, então quando os alunos entravam de férias alguns traziam fogos e iam soltá-los nas ruas paradas entre o Colégio Marista e o Colégio Agnes (onde eu estudava). Já no meu antigo colégio, só entrávamos de férias pontualmente no dia de 1 de julho para voltarmos pontualmente em 1 de agosto (caso caísse num dia de semana), mas ainda assim era comum ouvir os garotos mais novos do prédio do Ensino Fundamental 2 se vangloriando de suas tentativas de tentarem explodir um vaso de privada. Eu nunca vou entender isso, ainda acredito ter que ser muito tabacudo para um feito desses.


As memórias de São João nos Aflitos se baseavam na alegria de estar livre do colégio por um mês inteiro. Era uma alegria diferente realmente, mas não eram de fato o que o São João representava para mim. Para mim era ir para as ruas suburbanas, comer canjica e juntar moedas para comprar mais fogos. Nos arriscávamos, mas descobríamos.


Os dias acabavam com um vulcão de fogos que soltava faíscas para o alto, para junto das nuvens e para longe da fumaça da fogueira, iluminava a noite como se o sol houvesse chegado e nós ficávamos ali sentados, com os dedos fedendo a pólvora e segurando uma espiga de milho queimada que nós mesmos havíamos assado.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

3 semanas sem celular

Há 3 semanas que eu estou sem meu celular. Meu Galaxy Nexus começou a apresentar uma falhas no display há alguns meses atrás e logo se tornaram insuportáveis. Eram listras brancas e pretas que se espalhavam paralelamente pela leta, cortando horizontalmente de uma canto ao outro. As imagens começaram a ficar escuras e logo decidi que eu iria tirar satisfação na assistência técnica.


Quando a atendente me falou “Senhor (tampem o nariz ao ler isso aqui), o seu celular retornará em torno de 10 a 30 dias. Recomendo que ligue para 3422-0727 (telefone que sempre se encontra ocupado) em 10 dias para saber sobre outra data onde o senhor poderá vim pegar seu celular.” Eu tive meu primeiro ataque de ansiedade.


Não sou nenhum Paul Miller, mas estou aqui para comentar sobre as 3 semanas que estou com um dumbphone e as 2 últimas semanas que estou sem nem receber uma única mensagem ou ligação.


Assim que cheguei em casa, eu carregava comigo a caixa do meu celular - que agora para mim é como um caixão sem corpo - com o meu chip da tim no bolso esquerdo da bermuda suja por causa dos bancos empoeirados da assistência, que fica na Zone Oeste de Recife, a mais de 1,5 hora de trânsito de onde moro. Era um sábado dia 25 e eu estava começando a pensar sobre como eu não iria sobreviver à espera.


Minha primeira reação foi abrir todas as gavetas de casa e encontrar um celular que pudesse pelo menos substituir em parte o meu nexus. Claro que como todo mundo que tem um celular hoje em dia, eu também não faço ligações, mas perco bastante tempo no twitter, lendo meus feeds, 9gag, tumblr e jogos aleatórios.


Logo já corri atrás do Nokia C3-00 que era da minha mãe até presentearmos ela no Dias das Mães com um novo celular já que o C3 está quebrado. Sim, eu peguei um celular quebrado para usar.


Um dos meus maiores vícios é o Whatsapp. Esse bendito aplicativo resumiu todas as minhas interações sociais. Parei com o facebook e me recuso a gastar 50¢ com mensagens diárias para gastar apenas com internet, já que além de poder usar o Whatsapp eu poderia catucar o twitter e meus feeds de vez em quando. E umas das maiores vantagens é que o C3 tem Wi-fi e Whatsapp!


Mas o C3 não cobre minhas outras necessidades. Me lembrei logo do iPod touch da minha mãe que ela não usa e que está para vender (aliás, mande-me um e-mail se tiver interessado, aceito Paypal, MercadoPago...), comparado ao Android o iOS 6 é no mínimo bobo, mas pelo menos eu pensei que iria me salvar por causa disso.


Acontece meus queridos, que logo depois de uma semana, assim que eu entrei de férias, eu descobri o porquê que tínhamos dado um celular novo para a minha mãe. A antena do celular não funciona, nada de 3G (não pera é 2G), nada de ligações, nem as mensagens que há poucos dias eu esnobava. Tudo isso me faz uma falta tão grande. Nada como a personagem de Tatá Werneck em "De Pernas Pro Ar 2" (2012), mas mais ou menos por aí.



Para quem me segue no twitter já devem ter percebido que sou bastante viciado em tecnologia. Comecei com blogs de tecnologia aos 12, adorava escrever sobre isso. Eu era fã da Microsoft, acreditando na vingança do Windows Vista e tinha me fascinado pela Apple por causa dos boatos do lançamento de um celular que rodaria Mac OS X. Então carrego esse meu lado geek desde então.


Troco de celular todo ano de acordo com meu entusiasmo. Em 2009, fiquei com expectativas pelo WebOS da Palm e comprei um Palm Centro. Em 2010 me animei com o iOS 4, juntei o dinheiro para comprar um iPhone 3GS na época, mas minha mãe me proibiu (ela tinha uma teoria de comprar celular para o ladrão, conhecem?) e tristemente comprei um Motocubo (que custou irracionais R$600 para depois de poucos meses aparecer por menos de R$400, celular era muito ruim) e o iPod touch 4 que foi meu parceiro por 2 longos anos, amava o iOS. Em 2011, Nokia Belle num Nokia 500, acreditava que a Nokia estava se tornando cada vez mais forte e que o Nokia Belle seria o mais popular, mas também quebrei a cara.


Fiz apostas muito malucas agora que olho para trás, mas em 2012 resolvi parar com a palhaçada, vendi meu celular, meu iPod e todos os acessórios que tinha. Juntei uma boa quantia e comprei um sensato Samsung Galaxy Nexus, android puro da Google com hardware perfeito.


Na época fiquei uma semana sem celular nem iPod, mas pouco me importei pois eu estava para receber finalmente um celular que demorou muitas conversas com a minha mãe de que ter um top de linha era melhor do que andar com um celular e um iPod.



A experiência que vivo ainda é aterrorizante. Duas semanas sem o bendito Whatsapp já que o celular morreu de vez e eu desisti de carregá-lo.


Toda dia quando no final da tarde vou a padaria, já fico pensando no tempo que irei esperar na fila olhando para o teto. Pior é quando preciso ir ao Bompreço e passo horas lendo capas de revista na fila de pequenos volumes. Abençoado sejam os dias que achei uma revista fora da embalagem que não fosse ti-ti-ti, capricho ou pior... (pausa dramática) CARAS!!!


Até pequenos momentos a melhor moda Sheldon Cooper, como quando repensei um passeio de bicicleta já que não tinha nenhum aplicativo para monitorar minha distância, meu tempo por quilômetro ou minhas calorias perdidas. É estranho pedalar por aí, sem um único app. Andando para cima em para baixo como se não houvessem leis!


Não mando mensagens e estou há bons dias sem falar com alguns de meus amigos simplesmente pela impossibilidade. Conversas em grupos são tão mais agradáveis que 1x1...


Já pararam para pensar se você realmente não depende do seu celular?


Eu não acredito numa dependência dele, mas sim que os celulares facilitam a nossa vida de tantas maneiras que ele se tornou um acessório de sobrevivência, tão útil como uma toalha.


Durante meu primeiro período na faculdade eu fui aprendendo a lidar com a vida universitária. Como também completei meus 18 anos no começo do ano, eu resolvi que queria umas responsabilidades para mim. Abri uma conta bancária universitária e fiz um VEM (tíquete eletrônico de ônibus, metrô e até bicicleta do Grande Recife). E nas correrias da universidade eu fiquei perambulando entre a biblioteca e a rua onde ficam as casas de xerox. Os vários trabalhos e textos se tornaram mais fáceis ou menos solitários no momento em que mandava mensagem para os amigos sobre como eles estavam indo.


Foi assim que fomos compartilhando nossas próprias técnicas enquanto estudávamos nas escrivaninhas de nossas casas. Quando um achava um aluno veterano que ainda tinha as provas e nos entregava uma cópia todos já descobriam ainda na noite anterior àquela prova do mesmo professor.


O uso do celular tem efeitos bons e ruins, mas num geral não vejo motivos para enxergarmos eles como a doença do século XXI.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

O canto mais antigo da minha mente

Eu rabisquei esse texto numa das últimas páginas do meu caderno da faculdade... decidi publicar.


Nos últimos dias uma pergunta veio à minha cabeça: qual é a minha primeira lembrança? O quão perto eu consigo chegar dela?


O que me fez chegar a essa dúvida foi quando estava correndo, que tem sido um dos momentos em que eu chego ao máximo da minha criatividade. Eu pensei em Boots, a personagem do último livro que eu li que tem apenas 2 anos de idade. Nessa época nós experimentamos tudo que é a vida, mas as lembranças dessa idade não pertence ao bebê em si, mas aos seus pais. Quantas vezes meus pais falam de uma tal de uma viagem que "fizemos" a Fortaleza quando eu tinha 3 anos. Hoje eu sou louco para conhecer o norte do país, mas sempre escuto falar dessa viagem cujas memórias não me pertencem.


A viagem ao Ceará nunca vai chegar a minha memória e eu terei que viver com isso.


Posso lembrar de várias coisas de quando eu era muito novo. Mas acredito que a mais cedo se passa no antigo apartamento da minha avó na Abolição. Minha avó se mudou para o Méier em 1999~2000, nem sei bem, como estou dizendo aqui para vocês. Essa memória que eu tento tornar mais clara se passa no período antes de eu ter 5 anos.


Acho que essa memória se passa nas minhas primeiras viagens ao Rio. Lembro de coisas básicas, como ser extremamente baixo (claro, um bebê particamente) e de andar sem camisa para tentar sobreviver a minha primeira experiência dos 40ºC do verão carioca. Nesse apartamento havia uma banheira branca no banheiro que me assustava terrivelmente. Quantas vezes não chorei porque não queria entrar naquela assustadora banheira gigante.


Havia vários fatores para eu temer aquelas banheira. O fato dela ser escorregadia, da água vir um lugar que eu não compreendia com meu conhecimento aproximado de muitas coisas, eu me assustava com as cores escuras do apartamento.


A lembrança exata, a mais antiga na minha memória, é a de eu ter ficado chateado com meu primo ou algum parente... O motivo de eu ter ficado chateado foi por causa de um sacolé. Eu queria um mais não podia porque fui dito que era muito pequena para tomar um. Aquele pequeno garoto, meu eu menor, se sentiu ofendido. Se já algo que crianças não gostam é de se sentirem limitadas em relação a "gente grande". E um pequeno homem tem sua honra a ser guardada.


Benditos sacolés!


Naquele momento minha honra fora salva pelo meu pai ou tio - ou sei lá que entidade era aquela. Acho que quando se é menor, e está com raiva, o mundo gira ao seu redor e você nem percebe quem está com você. Cortaram um sacolé ao meio e me deram uma parte. Foi a coisa mais gostosa que havia comido até então. E até hoje não lembro de nenhum nada que tenha aquele gosto.


Ainda acho que parece assustador me lembrar de coisas assim tão cedo. Masi cada um tem a sua memória. Meu irmão diz se lembrar da copa de 98 e para mim, minha primeira copa foi a de 2002.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Hoje eu me vi preso

[caption id="" align="aligncenter" width="640"] Fonte da Foto[/caption]

Hoje eu me vi preso. Atualmente eu tenho chegado atrasado à faculdade praticamente todos os dias. Já tentei de tudo, acordei cedo, já saio tarde, vou correndo, tentei gravar os horários mas não tem jeito. Todo dia tem uma merda!
O ônibus tem sido para mim uma verdadeira loteria. Das vezes que chegava cedo à parada, o ônibus tardava uma meia hora e quando chegava tarde, o ônibus estava ali na minha frente, parado, reluzente, com uma fila de pessoas formadas na porta para que elas possam, com alegria, se comprimirem naquela lata de quatro rodas. Isso tudo me irritava de tal forma que eu queria simplesmente virar o Hulk e sair pulando no teto dos carros, um por um.
As poucas vezes que cheguei cedo foi quando minha irmã de dava carona. Mas andar de carro, em Recife, às sete horas, é oito ou oitenta. Quando eu não chegava cedo, eu chegava extremamente tarde. Um dia desses cheguei a atrasar uma hora e meia no trânsito por causa de uma batida no começo da Rua Príncipe, onde fica a Católica. A situação é tão absurda, porque meu trajeto não fica a mais de quatro quilômetros de casa e eu tenho que ficar meia hora engarrafado até poder seguir em frente no meu trajeto! É perder a vida sentado no carro.
Estou preso nessa situação em que ou eu chego atrasado ou não chego. Isso por causa dos vários carros e das várias ruas estreitas desta cidade. Acordar mais cedo do que acordo é desafiar minha capacidade humana. Acordo todo dia às 5:45 e sei que tem quem acorde mais cedo ainda, mas se eu o fizer, irei comprometer meu estudo à tarde.
Andei pensando em formas alternativas de me locomover e cheguei a conclusão que a partir de amanhã andarei a pé para a faculdade. Já fui uma vez indo e voltando e não é um trajeto tão cansativo graças as várias árvores pelo caminho. Tenho medo de levar muito sol no caminho e ficar com marcas da camisa no braço e o pescoço marcado como fiquei quando passei a estudar pela manhã, mas certas coisas tenho que passar a ignorar para poder garantir a minha integridade. São trinta minutos de caminhada que me garantirão chegar cedo.
Parece estranho ler que eu tenha pensado em formas alternativas e não ter concluído ir de bicicleta para a faculdade. De fato estou pensando seriamente em virar um natureba e começar a usar minha bicicleta como meu carango. Poderei passar entre os carros e chegaria mais rápido do que andando, mas não sei exatamente onde eu guardaria a bicicleta na Católica. Soube que tem um bicicletário através de uma página de fofocas de lá no facebook - reparem minhas fontes de conhecimento, mas eu ainda não fui ver onde fica necessariamente.
Se eu passasse a andar de bicicleta eu mataria as horas que fico correndo todo dia na academia e ainda chegaria a tempo. Até pesquisei sobre segurança nas ruas e já aprendi os sinais com a mão e em que faixa pedalar, até capacete já tenho, só falta criar coragem para ir.
Só sei de uma coisa, vai ser andando que irei me libertar.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Fotografias - Weekly Vlog - Semana #3



Esse vídeo é o substituto do meu blog pessoal agora. Decidi fazer vídeos ao invés de escrever. Meu blog pessoal ficava hospedado no posterous há muito tempo e agora que o posterous deixou de existir, até importei o blog para o Wordpress.com só para manter o legado das postagens, mas num geral, me sinto estranho por escrever em outro ambiente. Sei lá...

Eu sempre quis fazer uma postagem sobre fotografia, não que eu seja fotógrafo ou me dedique à isso, mas simplesmente queria falar sobre algo be aleatório.

Quando eu era pequeno gostava de passar grande parte do meu tempo desenhando. Desenhava de tudo. Meus desenhos favoritos ou simplesmente a sala de aula. Era um jeito de me distrair no colégio. Não tenho nada disso guardado até porque grande parte desses rascunhos eram feitos na fórmica das carteiras de sala de aula. Se soubesse que iria ficar curioso pelos desenhos bobos quando crescesse talvez eu tivesse pensado em qualquer coisa mais prática.


Então chegou um momento que eu queria comprar uma câmera só para mim. Tínhamos uma da família, mas eu queria uma para que eu pudesse tirar fotos aleatórias. Na época havia câmeras digitais mas eram extremamente caras e eu queria comprar minha primeira coisa "cara" com meu "dinheiro". Comprei uma fujifilm por R$60 e eu fiquei louco.



No dia seguinte a levei para meu colégio e comecei a tirar fotos dos meus amigos, do parque, da sala, parede, eu mesmo, qualquer coisa. Não lembro muito bem dos limites dos filmes, mas comprava a que dava para várias fotos. Minha ideia era ter um grande álbum de pequenas cosias.


Quando as levava para serem reveladas eu escolhia minhas favoritas e tentava desenhar. Guardava uma paisagem e ia desenhá-las. Realmente aqueles eram bons tempos.


Poucos meses depois minha mãe comprou nossa primeira câmera digital, o que foi ótimo! A Fujifilm foi ficando de lado na estante e logo todas as nossas fotos passarem a fazer parte de álbuns no computador.


O que eu gostava da fotografia eram as fotos antigas. Lembro de ver panorâmicas ainda em preto e branco que meu pai tinha tirado num sobrevoo sobre o Rio e outra aqui em Recife.  São momentos únicos congelados em fotos que me fascinavam. Ali eu percebia o quanto Recife havia crescido e o como o charme da Zona Sul carioca persevera ao longo dos anos. Eu queria ter algo assim. Queria fotos de paisagens, tenho dos lugares que achei mais marcante para mim na época: a Tamarineira, o Ibura e o Méier. Poderia incluir outros lugares, mas esses são os que marcam me memória. Sempre irei pegar uma foto da Tamarineira e apontá-la para meus filhos, logo contarei uma história.


Gosto das fotos nuas e cruas como uma câmera a concebe. Não acredito em filtros e edições. Uma boa foto preto e branco é tirado por uma câmera p&b, e câmeras coloridas devem tirar fotos coloridas e permanecerem sem manchas de café.


No começo da adolescência queria mostrar minhas fotos para os outros, as coloquei em fotologs, ou contas no flickr.


Todas amadoras, mas só essas são as que conseguem contar as melhores histórias.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

A Parada de Ônibus completa

Eu iria postar a última parte da crônica, mas decidi não fazer assim. Eu estava escrevendo sobre o peruano da parada, mas ele desapareceu, nunca mais o vi e não conseguia escrever um nada decente sobre ele. Então ao invés de postar algum texto meu hoje eu irei juntar os links que formam o todo.



A Parada de Ônibus por Marcos Capella Parte 1 - Parte 2 - Parte 3



Eu espero por comentários aleatórios sobre qualquer coisa a respeito dos textos. Gostaria muito!

A Parada de Ônibus completa

Eu iria postar a última parte da crônica, mas decidi não fazer assim. Eu estava escrevendo sobre o peruano da parada, mas ele desapareceu, nunca mais o vi e não conseguia escrever um nada decente sobre ele. Então ao invés de postar algum texto meu hoje eu irei juntar os links que formam o todo.

A Parada de Ônibus por Marcos Capella Parte 1 - Parte 2 - Parte 3

Eu espero por comentários aleatórios sobre qualquer coisa a respeito dos textos. Gostaria muito!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

A Parada de Ônibus #3


Esta é a parte 3, para ler a parte 1 e a parte 2, clique nos links.



O homem com a bolsa de couro velha, sempre se mostrava inquieto. O seu relógio prateado enorme sempre estava à altura dos seus olhos para que ele consultasse o horário. Ele tinha a pele morena e marcada por o que provavelmente deve ter sido uma crise terrível de acne na adolescência. Creio que ele deva trabalhar numa dessas agências onde todos seus funcionários são uniformizados porque sempre o encontro vestido com uma camisa social azul e calças pretas. Suas canetas estão guardados num protetor de bolso na sua camisa, o que parece terrivelmente inapropriado. Meu avô morreu quando eu tinha seis anos, e me lembro pouca coisa dele, mas uma dessas poucas coisas é a caneta presa, sempre pronta para assinar, no bolso da camisa. 

De hora em hora seu celular sempre toca e ele sempre está conversando com alguém. Espero que seja um barbeiro, porque aquele bigode Professor Girafales distrai muito a vista das pessoas. Imagino se ninguém nunca teve a coragem de falar para ele se livrar daquela tarantula em seu rosto. Sei que é falta de educação, mas não consegui evitar de escutar uma de suas conversas. Era sobre uma carga de armações que ele trouxe de uma viagem e que estava levando para quem ele estava conversando no celular.

Trabalhava de oculista provavelmente. A vida deve ser difícil, não por causa do bigode (esquece do bigode, Marcos!), mas por causa de como tudo deve ter acontecido. Apesar do ensino público ter sido notável nas décadas anteriores, ele não conseguiu concluir todos os estudos. Vem de uma família de retirantes e sua mãe teria sido a primeira a chegar em Recife para uma vida melhor. Sua irmã engravidou logo e a vida para a sua mãe começou a ficar difícil.

Para uma mulher, ainda mais vinda do sertão, numa cidade marcada pelo preconceito e oligarquias, os trabalhos que conseguia eram os mais mal pagos. Trabalhou em tudo que conseguia, foi faxineira, lavandeira, garçonete, secretária, caixa... Nada era ruim ou bom demais para ela, tudo que lhe importava era que seus filhos pudessem ter roupas bem costuradas e três pratos de comida todo santo dia, um antes de ir trabalhar cedinho, outro que deixava na panela para que seus filhos se servissem no almoço e o último, onde finalmente poderia se alegrar junto com sua família depois de dias tão difíceis.

Sua irmã se iludiu demais. Aos dezesseis queria se tornar uma aeromoça. A época chegava e ela precisava de um emprego, mas as suas ambições miravam alto, aliás, miravam nos aviões que via todo dia passando pela janela do seu quarto. Menina ruim, era essa. Tinha vergonha de sua família, nunca contava aos amigos que fizera na praia de Boa Viagem naquele carnaval, ainda mais para seu namorado. Aquele namorado era quem deveria tirar ela da pobreza, quem finalmente poderia dar a infeliz uma casa grande e bonita para que pudesse ficar quando seu trabalho como aeromoça a desse um tempo de paz. 

Pelo visto a gravidez repentina, no mês de agosto do mesmo ano que conhecera o namorado, não fora suficiente para agarrar o garoto. Ele desapareceu assim como a história de que um dos herdeiros de uma das famílias mais proeminentes do Recife teria engravidado uma garota suburbana filha de ninguém. 

Essa história nunca deveria ter saído da boca de ninguém.

Assim que o seu sobrinho nasceu, sua mãe passou a ter três trabalhos, fez questão de cuidar do seu netinho. Nunca que ela iria culpar uma criança pela inconsequente mãe. Costurou todas pecinhas de roupa com o maior cuidado e mimava o pivete com tanto amor que o homem do bigode e da bolsa de couro estava quase certo de que o bebê chorava de sufoco, não de fome.

Sua mãe foi atropelada quando uma Brasília a acertou de lado quando descia a ladeira sem freio. Todos os empregos foram embora. Mulher, sertaneja, de cor e agora manca, nem o mercadinho do pastor da igreja da esquina queria dar a ela essa benção. “Deveria ter pago os dízimos, Dona”, era tudo que escutava.

Agora católica, passava seus dias só em casa.

O homem do bigode começou a trabalhar logo, largou a escola aos dezesseis e pediu ao tio que o deixasse trabalhar em sua ótica. Trabalhava no estoque pela manhã, no balcão de tarde e nas contas no comecinho da noite. O tio o explorava, mas ao menos o pagava bem.

O sufoco acabou quando a irmã abandonou a família para se casar com um mineiro que conheceu em uma festa de uma amiga de uma amiga que tinha conhecido na praia. Rico e iludido, o homem conseguiu alguém para se desgraçar. Ela se foi para Minas Gerais, deixou o filho para trás para que fosse criado pelo irmão e a mãe. Ainda recebem cartas, mas eram só para ter certeza de que sua família em Recife não estivesse precisando de nada dela.

Se mudaram para um prédio na Ilha do Retiro, graças ao trabalho duro do homem da bolsa de couro. O sobrinho era como seu filho e morava com ele, sua esposa e sua filha que via o primo como um irmão mais velho.

Herdou uma das óticas do seu tio. Não o rendia muito dinheiro, contanto que não tivesse um carro, o que seria um gasto inconveniente, a vida poderia seguir muito boa. Talvez melhor, se não fosse por aquele bigode.

A Parada de Ônibus #3


Esta é a parte 3, para ler a parte 1 e a parte 2, clique nos links.

O homem com a bolsa de couro velha, sempre se mostrava inquieto. O seu relógio prateado enorme sempre estava à altura dos seus olhos para que ele consultasse o horário. Ele tinha a pele morena e marcada por o que provavelmente deve ter sido uma crise terrível de acne na adolescência. Creio que ele deva trabalhar numa dessas agências onde todos seus funcionários são uniformizados porque sempre o encontro vestido com uma camisa social azul e calças pretas. Suas canetas estão guardados num protetor de bolso na sua camisa, o que parece terrivelmente inapropriado. Meu avô morreu quando eu tinha seis anos, e me lembro pouca coisa dele, mas uma dessas poucas coisas é a caneta presa, sempre pronta para assinar, no bolso da camisa. 
De hora em hora seu celular sempre toca e ele sempre está conversando com alguém. Espero que seja um barbeiro, porque aquele bigode Professor Girafales distrai muito a vista das pessoas. Imagino se ninguém nunca teve a coragem de falar para ele se livrar daquela tarantula em seu rosto. Sei que é falta de educação, mas não consegui evitar de escutar uma de suas conversas. Era sobre uma carga de armações que ele trouxe de uma viagem e que estava levando para quem ele estava conversando no celular.
Trabalhava de oculista provavelmente. A vida deve ser difícil, não por causa do bigode (esquece do bigode, Marcos!), mas por causa de como tudo deve ter acontecido. Apesar do ensino público ter sido notável nas décadas anteriores, ele não conseguiu concluir todos os estudos. Vem de uma família de retirantes e sua mãe teria sido a primeira a chegar em Recife para uma vida melhor. Sua irmã engravidou logo e a vida para a sua mãe começou a ficar difícil.
Para uma mulher, ainda mais vinda do sertão, numa cidade marcada pelo preconceito e oligarquias, os trabalhos que conseguia eram os mais mal pagos. Trabalhou em tudo que conseguia, foi faxineira, lavandeira, garçonete, secretária, caixa... Nada era ruim ou bom demais para ela, tudo que lhe importava era que seus filhos pudessem ter roupas bem costuradas e três pratos de comida todo santo dia, um antes de ir trabalhar cedinho, outro que deixava na panela para que seus filhos se servissem no almoço e o último, onde finalmente poderia se alegrar junto com sua família depois de dias tão difíceis.
Sua irmã se iludiu demais. Aos dezesseis queria se tornar uma aeromoça. A época chegava e ela precisava de um emprego, mas as suas ambições miravam alto, aliás, miravam nos aviões que via todo dia passando pela janela do seu quarto. Menina ruim, era essa. Tinha vergonha de sua família, nunca contava aos amigos que fizera na praia de Boa Viagem naquele carnaval, ainda mais para seu namorado. Aquele namorado era quem deveria tirar ela da pobreza, quem finalmente poderia dar a infeliz uma casa grande e bonita para que pudesse ficar quando seu trabalho como aeromoça a desse um tempo de paz. 
Pelo visto a gravidez repentina, no mês de agosto do mesmo ano que conhecera o namorado, não fora suficiente para agarrar o garoto. Ele desapareceu assim como a história de que um dos herdeiros de uma das famílias mais proeminentes do Recife teria engravidado uma garota suburbana filha de ninguém. 
Essa história nunca deveria ter saído da boca de ninguém.
Assim que o seu sobrinho nasceu, sua mãe passou a ter três trabalhos, fez questão de cuidar do seu netinho. Nunca que ela iria culpar uma criança pela inconsequente mãe. Costurou todas pecinhas de roupa com o maior cuidado e mimava o pivete com tanto amor que o homem do bigode e da bolsa de couro estava quase certo de que o bebê chorava de sufoco, não de fome.
Sua mãe foi atropelada quando uma Brasília a acertou de lado quando descia a ladeira sem freio. Todos os empregos foram embora. Mulher, sertaneja, de cor e agora manca, nem o mercadinho do pastor da igreja da esquina queria dar a ela essa benção. “Deveria ter pago os dízimos, Dona”, era tudo que escutava.
Agora católica, passava seus dias só em casa.
O homem do bigode começou a trabalhar logo, largou a escola aos dezesseis e pediu ao tio que o deixasse trabalhar em sua ótica. Trabalhava no estoque pela manhã, no balcão de tarde e nas contas no comecinho da noite. O tio o explorava, mas ao menos o pagava bem.
O sufoco acabou quando a irmã abandonou a família para se casar com um mineiro que conheceu em uma festa de uma amiga de uma amiga que tinha conhecido na praia. Rico e iludido, o homem conseguiu alguém para se desgraçar. Ela se foi para Minas Gerais, deixou o filho para trás para que fosse criado pelo irmão e a mãe. Ainda recebem cartas, mas eram só para ter certeza de que sua família em Recife não estivesse precisando de nada dela.
Se mudaram para um prédio na Ilha do Retiro, graças ao trabalho duro do homem da bolsa de couro. O sobrinho era como seu filho e morava com ele, sua esposa e sua filha que via o primo como um irmão mais velho.
Herdou uma das óticas do seu tio. Não o rendia muito dinheiro, contanto que não tivesse um carro, o que seria um gasto inconveniente, a vida poderia seguir muito boa. Talvez melhor, se não fosse por aquele bigode.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Um homem que lia

Toda essa cena durou apenas uns segundos. O tempo que levo para andar do cinema à portaria do meu prédio. Fiquei tão preso e obcecado por aqueles segundos em que observei por acidente aquele homem que andei devagar para observar mais, mas ao mesmo tempo tentando não parecer assustador.
Próximo ao muro que separa meu prédio da galeria onde fica o cinema está o lixeiro dessa. Todos os dias, ao anoitecer, antes que o caminhão do lixo apareça na madrugada, uns carroceiros aparecem logo, como urubus desesperados por dias melhores. Eles abrem saco por saco, atrás de latas, papelão e garrafas para poderem vender a centavos malditos vindos dos bolsos dos coroneis do lixão e suas oficinas de reciclagem disfarçadas de caridade.
Sempre que passo ali, após sair da última sessão do dia do cinema, me sinto errado. Olho para as minhas roupas e logo miro o meu prédio rapidamente. Tenho tudo isso, roupas e um quarto confortável me aguardando. A poucos metros de mim está um homem com a realidade terrivelmente oposta a minha. Vítima do destino. Mas naqueles segundos foi diferente, eu me senti igual a ele.
Sentado próximo aos sacos de lixo e a uns três metros de mim, ele segurava um livro de umas quatrocentas páginas na altura dos olhos. Na capa dura azul estava o título gravado em  ouro, provavelmente uns desses livros antigos que as pessoas acumulam nas estantes por pura vaidade. Com o silêncio que já invadia as ruas dos Aflitos às nove horas da noite, graças a cultura de medo dos recifenses, ele se concentrava na sua leitura.
É isso! Livro é algo muito mais forte do que qualquer bem desejado. Você pode trabalhar horas para poder se dar a futilidade de muitas coisas, mas literatura não tem valor. Os pessimistas que falem dos preços. Que cobrem quanto quiser pela capa ou miolo. As histórias que um amante da leitura caça ao longo da sua vida não existem para o pessimista, elas só tomam forma na imaginação do leitor.
O livro é um pássaro e uma estante é apenas uma gaiola. Quando soltos, eles podem cantar suas melodias para vários marginalizados a fim de amenizar a dor que é viver.

quinta-feira, 21 de março de 2013

A Parada de Ônibus #2

A mulher da assembleia. Ela tem uma aparência suburbana bastante humilde, provavelmente não mora por aqui. Acredito que venha diariamente para algo, mas tento me afastar do esteriótipo de que seja uma empregada. O que diabos ela faz por aqui? Ela carrega uma sacola enorme dessas de náilon que as donas carregam pela feirinha de domingo ali no mesmo bairro. Parecem roupas, mas é inconcebível a ideia de que ela esteja saindo da casa do patrão e indo a outro lugar às 7h da manhã. E aquela bíblia? Se ela soltasse ela e guardasse na bolsa não pesaria tanto assim. Então é isso.
A mulher da assembleia trabalha cedo pela manhã e não se incomoda de não estar em casa já que se acostumou a andar desde pequena, enquanto crescia nas ruas de barro do Recife do século passado. Na verdade mora em um apartamento de um prédio antigo ali mesmo nas Graças. Esse apartamento é seu maior orgulho, por ser sua casa própria e num dos bairros nobres, mas ao mesmo tempo sua maior sina, por ter o herdado em vida de seus pais e estar até hoje brigando pelo seu direito na justiça com seus irmãos que se mudaram para São Paulo.
Trabalha para pagar um advogado, fazer sua feira do mês e ajudar a sua igreja. Como a maioria das assembleias se encontram no subúrbio, ela pega um ônibus para Macaxeira onde sua amiga mora e sempre se encontram para tomarem café. Mas não naquela hora do dia. Pela manhã ela vai para Boa Vista onde trabalha vendendo roupa em uma daquelas barriquinhas odiadas pela prefeitura.
A fé é o que lhe sobra para cobrir a sua amargura. Apesar de saber o peso que tem que viver por ter tirado dos pais algo que eles tanto precisavam para poder ter a sua família com seu marido que pouco trabalhava. A vida lhe deu esse peso para carregar após que ela foi abandonada com três filhos pelo seu marido, que não passava de um bígamo.
Pobre mulher da assembleia. Como a sua vida pode sair desse estado de caos assustador? O que lhe resta? Apenas vive para concluir um ciclo. Parece ter desistido do novo. Desistiu de uma vida melhor para se tornar aquele avatar que senta perto de mim todo santo dia, debaixo daquele sol quente.

quinta-feira, 14 de março de 2013

A Parada de Ônibus #1


Todo santo dia estou eu lá. Andando naquela rua imunda, driblando todos aqueles estudantes para poder chegar a tempo na parada de ônibus. E naquela parada que me deparo com todos aqueles tipos sociais de que eu me privei por todos esses anos como um pedestre convicto - odiava o fato de ter que ir de carro para qualquer lugar.
Atrás de mim está aquela concessionária nova da Toyota onde os carros brilham e te convidam a comprá-los. Apesar de gostar bastante de carros, nunca gostei de nenhum da Toyota, mas debaixo daquele sol e aquele calor infernal de 27ºC do Recife, a ideia de pagar trinta e cinco mil num carro do tamanho do amigável Fiat Uno se torna uma ambição para quando conseguir meu primeiro emprego.
Olhos pros meus pés já marcados pelas tiras da havaiana e me ironizo por ter nascido pálido numa região onde o sol é conhecido por ser tão ferrenho quanto os coroneis que habitaram acá. Apesar de familiarizado com verões piores, o sol nessa terra sempre será o mais forte na minha cabeça.
Me rodeando estão "os membros da parada da Rui Barbosa", assim como os arquivei no meu cérebro. Aquela mulher da assembleia que não larga a bíblia na sua mão, um homem alto de camisa social com uma maleta de couro envelhecido, um boliviano que reconheço pois um dia fora quem me atendia na agência de correios do meu bairro e todos os outros alunos da minha universidade.
Todas essas pessoas são apenas avatares em nossas memórias. Elas estão ali para ocupar espaço. Mas se eu consigo figurar a história delas em minha cabeça, enquanto eu espero o maldito ônibus, elas ganham vida. E com a vida dadas através da história, eu darei significado para aquele momento. A única maneira que encontrei para poder fazer o tempo passar rápido é imaginando e anotando tudo o que consigo sobre elas.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Até meu primeiro dia na universidade

Eu nunca mais havia escrito nada sobre o meu cotidiano. Costumava fazer isso costumeiramente aqui ao invés do meu blog pessoal morto, pelo simples fato do número de acessos. Pensei em simplesmente fazer um vídeo, mas estou a fim de escrever.
Como podem ter percebido a minha leitura de "Dragões de Éter - Caçadores de Bruxas" por Raphael Dracoon está demorando para sair, mas é por um bom motivo.
Vou situar os novos leitores sobre o que me levou até onde estou.
No ano passado eu fiz o famoso terceirão. Aquele momento na sua vida escolar em que você se sente importante por ser o ganha pão do seu colégio. Porque convenhamos... O único motivo para as escolares promoverem tanto o bem estar dos veteranos do ensino médio é porque são eles que irão passar nos vestibulares. Quem é o pai que vai colocar o filho numa instituição que tem 25% de aprovação?
Ao longo do último ano eu refleti bastante sobre a minha vida futura. Sempre tive a intenção de estudar Direito. Apesar de desprezar a profissão de Advogado, por mais que ler um bom John Grisham me anime bastante, eu ainda assim admiro mais as outras profissões que o curso pode me oferecer. Eu pensei sobre como vai ser a minha vida, o que eu acho um processo natural para qualquer um no colegial, mas eu resolvi fazer isso no último ano. Por vários momentos a ideia de viver num escritório trabalhando para alguém me afetou muito. Lemos tanto em várias revistas falando que os jovens atuais irão construir um mundo diferente sem todos os conceitos da sociedade do século XX. Nessa vista, eu faria um curso de TI, artes ou algo bastante reflexivo como filosofia. Mas eu era louco por Direito. Pelo menos era o que eu achava.
A ideia de eu estar indo contra o fluxo do desenvolvimento da nova era seguindo um curso tão tradicional me instigou a vários outros questionamentos. Eu senti que me contradizia. Junto com grandes amigos meus que seguiam a ideia de fazer um curso de engenharia, eu havia descoberto o meu novo objetivo. Iria fazer Engenharia da Computação. 
Iria transformar um hobby  numa profissão. E a concorrência menor para entrar no melhor curso de EdC no Brasil, na UFPE, me fez sentir um peso maior sobre a minha escolha. Na escola eu sempre me dediquei bastante a todas as matérias, dominava todas do meu jeito, exceto biologia. Maldita biologia. Logo estudar para o vestibular de Exatas não seriam tão ruim assim. E foi assim que segui, por quatro meses.
Após ter anunciado a minha "iluminação" para os meus amigos, após mini críticas da alteração e da alegria dos meus colegas que iriam cursar Direito por terem perdido mais um concorrente, havia me animado. Fiz a minha camisa de Fera 2013 como aluno de Exatas e assim segui em frente.
Em junho eu me desiludi com o curso. Durante minha última semana de prova do primeiro semestre eu refleti bastante sobre o que havia escolhido para mim. Se tudo aquilo não havia passado de um mero impulso. E foi assim que aconteceu. Naquele mês de Junho eu desisti de Engenharia e voltei ao meu querido sonho do Direito. Mas meu maior medo era que a minha escolha fosse apenas outro impulso. Não contei para ninguém, simplesmente guardei meu segredo. Só vão saber que eu troquei quando virem meu nome no listão.
Estudei sozinho. Não acredito em cursinhos. Os acho ridículo. Para mim uma boa escola é o suficiente e encher seu horários de aulas e aulas em cursinhos caríssimos só beneficiava os professores de matérias isoladas, não você. E como eu estudava sozinho, não me prendia a matérias que eu "deveria me dedicar mais" que são as matérias de Humanas. Fazia o que meu pai sempre diz, estudar não é uma obrigação é um prazer. E estudava tudo que me interessava. Era bastante eclético, gostava de literatura, redação, matemática, física, química, geografia e história. As matérias exatas são uma loucura, elas abrem a sua cabeça para definição dos fenômenos em teorias que te convidam a testar e as de humanas é simplesmente a boa leitura e a interpretação que eu amo. Nunca sofri para estudar nenhuma das revoluções da história ou sobre reações químicas. Esse controle que eu tinha sobre meu próprio horário tornava a ideia do que "eu vou fazer para o vestibular" um pensamento distante, não uma ação imediata. Eu nunca precisaria correr nas diretorias desses cursinhos para trocar tudo por matérias de humanas... de novo.
Semanas antes do Enem eu falei para os meus amigos que eu estava me dedicando para passar em Direito. Após várias críticas, ainda mais do grupo de alunos de exatas (com sérias tendências nazifascistas!) eu comecei minha temporada de vestibulares, quem para os Pernambucanos começou com o Enem no começo de Novembro até a metade de Janeiro com a segunda fase da UFPE.
Eu vi meus resultados após minhas primeiras provas. Eu estava indo muito bem para quem estudava sozinho. Muitos amigos meus que se mataram nessas fábricas de aprovados começaram a sofrer notas de corte ou ficando abaixo da média nacional, e eu fui seguindo em frente firme e forte, recebendo ótimos elogios dos meus professores, o que me deixou muito animado e com enormes saudades da escola.
Até que o Inep me tirou da jogada.
Fui um dos vários vestibulandos pelo Brasil que sofreram uma correção injusta na prova de Redação. Estudei vários manuais sobre a Redação do Enem, fiz dezenas de redações que entregava semanalmente para minha professora de português que era corretora do Enem, após vários oitos e noves, eu tirei um gigante 640 na redação. Meu mundo caiu. Foi terrível.
Após ter ido tão bem até então eu recebo essa facada. 640 é uma nota inaceitável para quem pretende passar no vestibular com concorrência altíssima, e após dias revisando para o vestibular da UFPE eu vi todas as minhas chances serem jogadas no chão e pisoteados pelo governo. Foi assim que eu me senti. Pela primeira vez vi que vivemos esse sistema falho que nós da Classe Média nos privamos pelo medo. Um medo bem justificado. 
Eu desisti da UFPE, a ideia de estudar mais um ano para entrar numa instituição que não consegue se manter em pé me assustou terrivelmente. Adoraria estudar gratuitamente numa das melhores universidades da América Latina, mas nunca me submeteria a algo sem fundamento. Nunca iria passar mais um ano estudando para no ano seguinte acontecer o pesadelo de novo e ver que joguei dois anos no lixo. 
Semanas antes eu havia passado no vestibular da UNICAP, Universidade Católica de Pernambuco. Tirei uma ótima nota e consegui uma boa colocação. Eu vi meu esforço ser válido. As Universidades da rede Católica (Pontifícias Universidades e Universidades) figuram entre as melhores do país e são as melhores universidades particulares. Por que eu repugnava a ideia de ir para UNICAP?
A culpa criada pela mídia de não fazer parte desse grupo que eles criaram de alunos que conseguiram passar entre milhares faz você querer fazer parte dessa elite estudantil. E culturalmente entrar para uma universidade pública é uma vitória para os membros das Classes B e A e as particulares só são vitória para os que nunca tiveram oportunidades na vida e agora estão tendo.
Uma névoa ao melhor estilo Percy Jackson havia se formado diante dos meus olhos e só depois de refletir sobre essa lógica terrível que engolimos com tanta facilidade, eu pensei em apenas uma frase curtíssima. FODA-SE.
Após você entrar em qualquer universidade a única coisa que vai importar é se você estar fazendo uma boa universidade, independente de ser pública ou particular, você não vai ser lembrado pela sua colocação nos listões, ou quais professores você estudou com, tudo isso é esquecido e apenas lembrado pelos cursinhos que irão usar dos feitos dos seus ex-alunos para conseguirem mais e mais dinheiro para seus bolsos.
Então aqui vai essa dica para você fera. Não se importe com o que vão dizer. Faça o que você sempre quis e do melhor jeito possível, mas não joguem suas oportunidades fora porque alguém falou para você que seus feitos não são os melhores e que há gente lá fora que conseguiu mais do que você.

No meu primeiro dia eu sentir uma alegria enorme. Cresceu do meu coração e se espalhou como uma droga pelo meu sangue. Eu estava tão feliz pois eu sabia, após todos os conflitos pessoais que eu passei, eu sabia que estava fazendo o que queria no lugar que eu queria e eu nunca me senti tão bem. Após meus primeiros passos dentro daquela universidade eu visualizei todos meus próximos cinco anos na universidade, e por aquele mínimo momento eu senti a certeza que eu procurei tanto um ano inteiro.