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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Galego, a nosa lingua?

Bandeira de Galicia
 Se você está aqui, creio que seja um leitor do Gonca, um brasileiro ou um português que, assim como eu, tenha alguma curiosidade neste idioma que nem todos nós damos a devida importância. Falo do galego. Não, não falo do lourinho (como se diz comumente no Nordeste e no Sul), mas sim de uma língua falada na Galiza situada na Espanha, ao norte de Portugal.
No Ensino Médio nós acabamos nos deparando, nas aulas de Literatura Portuguesa, com o Galego-português, a língua da qual o português moderno surgiu e se consolidou, após a publicação de "Os Lusíadas" por Luís Camões. Vamos lembrar um pouquinho dessas aulas. O nosso idioma, o Português, nasce no noroeste da península Ibérica a partir de um conjunto de dialetos conhecidos como galego-portugueses. Há cerca de 800 anos atrás, a língua portuguesa nasceu, na fundação da Universidade de Coimbra, a mais importante da Lusofonia. "Nessa época, o galego (que tem semelhança com o português e é falado na Galiza, região da Espanha ao norte de Portugal) começa a ser visto pelos portugueses como língua arcaica. É nesse eixo Coimbra -Lisboa que o português moderno vai se constituir." [veja aqui]
O Galego, então, toma um rumo diferente do português, criando suas próprias características fonéticas e adquirindo um pouco do castelhano, devido ao simples fato de estar na Espanha.

O Galego, a raiz
Falamos galego? O português e o galego vêm do mesmo grupo linguístico, o que faz com que possamos retornar a uma mesma língua. Então pode-se dizer que sim (ainda que não), além das fortes proximidades léxicas, um falante do galego pode-se fazer compreendido tanto em Portugal quanto principalmente no Brasil. Isso se deve ao fato de que o Brasil é como um grande Portugal. Além de dividirmos a língua e uma grande parte da nossa cultura com os irmãos além-mar, fomos fortemente colonizados pelos portugueses. Grande parte da nossa população é luso-brasileira, e isso é visto como um fato curioso principalmente porque nem todos os países colonizados manteve essa semelhança. Um bom exemplo é os EUA e a Inglaterra, os estadunidenses descendem majoritariamente de alemães e irlandeses, ou até a Argentina, que assim como o sul brasileiro, tem uma grande população italiana.

Os maiores grupos de Portugueses que vieram para cá são os do norte de Portugal, onde se fala um sotaque/dialeto vulgarmente conhecido como galego do sul. O grupo de dialetos do português falado no Brasil, conhecido como português brasileiro, preserva muito de suas características originais. Isso mesmo querido brasileiros, nós somos de fato conservadores frente a nossa pronúncia. No Brasil se pronuncia de forma parecida aos portugueses que chegaram aqui por volta dos séculos XVI-XVII nas grandes imigrações. No século XIX, a família real trouxe ao Rio de Janeiro não só a rainha e o príncipe-regente, mas assim como uma enorme comitiva que se agregava a mais e mais nobres vindos de Lisboa. Por isso, a cidade do Rio de Janeiro (e arredores) tem um sotaque com características mais próximas do lusitano atual e que para nós no resto do Brasil soa até engraçado, como os s chiado e o r vibrado que os cariocas arrumaram até que colocar no lugar dos s em meio de frases, criando o famoso "é mermo".

A falta de contato que se mantém, infelizmente, no Brasil, faz com que tenhamos dificuldade em compreender o português lusitano, coisa que não acontece com os lusófonos africanos que além de serem grandes consumidores de mídia brasileira também preservam contatos fortes com Portugal. Resultado, curiosamente, o Galego é muito bem compreendido pelos brasileiros e os portugueses. Eles, por causa da proximidade geograficamente e de sua longa história, e nós aqui, por causa de nossa provável conexão ancestral e linguística.

As diferenças mais marcantes são fenômenos fonológicos como a gheada e a ausência de sons nasais. Um ótimo vídeo que achei que ajudaria a compreender melhor essas diferenças é este aqui abaixo.



Mas se o que te interessas é escutar um verdadeiro falante, aqui está:

Hoje em dia, a Galicia possui o estado de observador associado (ainda dependendo da aprovação do governo espanhol, veja aqui) na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e é um dos dialetos mais ameaçados dentro do território espanhol, e luta pelo reconhecimento de sua aproximação com a língua portuguesa e contra a ameaça do castelhano que está sendo adotado por novas gerações. Apesar de muitos preferirem dizer que seja apenas português da Galiza, a forte influência espanhola faz com que ela se torne cada vez mais distinta afastando-se do Galego original que originou ambas as línguas.

Sim, aliás, o título não está com erro de português, está em galego.

Leituras Recomendadas

Galiza: A Unidade da Língua Portuguesa em Risco. http://blogcontosgrotescos.blogspot.com.br/2009/08/galiza-unidade-da-lingua-portuguesa-e.html.

O Galego Português. http://historiadalinguaportuguesa.weebly.com/o-galego-portuguecircs.html

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Cinema, o bom cinema

Eu poderia comentar sobre filmes clichês como "Crepúsculo", Obras de Nicholas Spark ou 500 Dias Com Ela, mas eu estou aqui para falar do bom e inocente cinema.
Enfim, eu assisti ao filme brasileiro "Apenas o Fim", eu gostei muito do filme, achei muito legal e fiquei surpreso ao descobrir que ele fora produzido por estudantes da PUC-RJ, eu pensei "Meu santo bebê Jesus, porque o cinema brasileiro não é todo assim..."
Voltando...
Mas Marcos, o que levou você, um autor de um blog literário querer comentar sobre cinema? Uma das coisas que me fez gostar desse filme é o diálogo. As conversas são bem articuladas e não são nada apelativo do tipo "A alça do meu sutiã caiu, vamos ali!", "Mina, tô com drogas aqui, foram essas que vendi para comprar esse colar que tu tas usando", são falas cotidianas que teem algo que te levam a seguir o rumo do filme. E é neste ponto que me lembrei de algo que sempre acabamos esquecendo, em algum momento esses filmes foram livros. Aquele que primeiro é literatura, que encanta apenas ao autor, depois vai à tela para encantar a vários. Essas é uma das grandes vantagens do cinema. Em um livro, o autor pode te dar os personagens, os cenários, as situações e as emoções, mas no cinema ele tem a grande possibilidade de mostrar para você "como ele leria esta história". Essa é a magia do cinema. Bons escritores conseguem não somente criar novas histórias, mas também articulá-las para criar o seu campo de distorção da realidade e fazer-te imergir neles.
Essa coisa toda me fez querer experimentar um pouco mais do cinema independente, estes filmes escritos pelo amor de alguém à profissão não esses encomendados para venderem ingressos vangloriando um zero à esquerda (*cof* Heleno *cof*), é nesse ponto que se pode encontrar os livros e os filmes, quando teem uma verdadeira história para te contar, um verdadeiro sentimento do autor para ser compartilhado.
A arte é em primeiro lugar uma forma de expressão.