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sábado, 5 de maio de 2012

"Pequena Abelha" por Chris Cleave - A resenha


Pequena Abelha
Chris Cleave
Editora Intrínseca
272 páginas
ISBN
: 9788598078939

Um pouco sobre o livro:
Não queremos lhe contar O QUE ACONTECE nesse livro.
É realmente uma HISTÓRIA ESPECIAL, e não queremos estragá-la.
AINDA ASSIM, você precisa saber algo para se interessar, por isso vamos dizer apenas o seguinte:
Essa é a história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fatídico. Então, uma delas precisa tomar uma decisão terrível, daquelas que, esperamos, você nunca tenha de enfrentar. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa...

Resenha
O que torna este livro tão envolvente é a narrativa e o ritmo do desenrolar da história. Logo no início, percebemos um mistério, relativo a um momento na vida de duas mulheres que alterou seus mundos irreversivelmente; um momento marcado por decisões, que faz com que pensemos quais escolhas faríamos.

Os personagens são retratados com realismo, são atingidos por injustiças mundanas, contudo também cometem erros, possuem imperfeições e, talvez o mais importante, percebem que são assim. Não é um livro romântico, por isso muitos provavelmente não se interessarão. Peço que não esperem um conto de fadas, muito menos príncipes encantados. O livro é forte, sincero, inteligente e sentimentalista. Sei que parece estranho adquirir um livro sem saber praticamente nada do que acontece nele, mas é isso que o autor pede. E, de fato, é isto que torna a narrativa tão encantadora.

Já no começo, apaixonei-me pelo livro, principalmente pelo modo de ver o mundo de uma das duas narradoras-personagens. A primeira frase do livro e também desta narradora é:
"Eu preferia ser uma libra esterlina do que uma menina nigeriana. Se eu fosse uma libra esterlina todo mundo ficaria feliz ao me ver".

É um livro comovente e realmente muito bem escrito. Algumas partes do livro me deixaram um pouco chocada outras colocaram um sorriso no meu rosto. Um livro praticamente perfeito, no o meu ponto de vista, e que demorou a sair da minha mente. Recomendo.

“Existem coisas que os homens podem lhe fazer nesta vida, eu lhe garanto, que seria muito melhor se você se matasse antes.”
“Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser o nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: ‘Eu sobrevivi. ’”


quarta-feira, 25 de abril de 2012

"Capitães da Areia" por Jorge Amado - A resenha


Capitães da Areia
Jorge Amado
Editora Record
256 páginas
ISBN
: 9788501005304

Um pouco sobre o livro:
A história dos meninos de rua, que povoam e dominam a capital da Bahia, inspirou Jorge Amado no seu sexto romance. Quando foi publicado, em 1937, 800 exemplares do livro foram queimados em praça pública por incitação ao comunismo. Hoje é um clássico.

Resenha
Os “Capitães da Areia” são crianças abandonadas, órfãs, ou que fugiram dos maus-tratos que utilizam o roubo como forma de sobrevivência. Poucas pessoas tem contato com estes meninos, o Padre José Pedro, a mãe de santo Don’Aninha, dentre outros. A população os vê como criminosos e os temem. O livro apresenta, sobretudo, muitas críticas e denúncias. As autoridades e o clero são apresentados como opressores. O reformatório é um grande exemplo de crueldade, sendo para lá que a polícia os encaminha. Apesar de viverem e se comportarem como adultos, o livro enfatiza o fato de eles serem ainda crianças. Furtam, brigam nas ruas, enganam, dormem com prostitutas e chegavam a ferir pessoas. Mas, tomam conta um do outro como irmãos. São apenas garotos desprovidos de carinho e boas condições de vida. Não tiveram escolha senão ingressar precocemente no mundo do roubo.

Embora seja um dos clássicos nacionais, é extremamente fácil de ler. Os Capitães da Areia tem uma linguagem de rua, mas nem isto dificulta o entendimento. As críticas de Jorge Amado são claras e fundamentadas. O autor faz com que as crianças pareçam heróis, cada um não lutando apenas pela sua própria sobrevivência, se preocupando com o próximo e trabalhando em equipe. Além de respeitarem o folclore e a religião, mesmo que nem todos tenham a mesma crença.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

"O Palácio de Inverno" por John Boyne - A resenha


O Palácio de Inverno
John Boyne
Editora Companhia das Letras
456 páginas
ISBN
: 9788535917109 

Um pouco sobre o livro:
Na primeira vez em que alterou o curso da história, em 1915, o então jovem camponês russo Geórgui Jachmenev conseguiu impedir um atentado à vida do grão-duque Nicolau Nicolaievitch, irmão do czar. Esse involuntário ato de bravura acaba por assegurar a Geórgui um lugar de honra na corte de Nicolau II, que o nomeia guarda-costas pessoal de seu filho, o também adolescente Alexei Romanov. 
Em 1981, agora cidadão britânico e funcionário aposentado da biblioteca do Museu Britânico, o octogenário Jachmenev, enquanto vela pela saúde da esposa Zoia, que vive os últimos estágios de um câncer devastador, deixa a memória flutuar, recordando aleatoriamente os fatos de sua vida, grande parte deles ligados diretamente a eventos históricos que transformaram o século XX. Rasputin, Winston Churchill, um amigo de Charles Chaplin, o último czar russo e outros personagens históricos de vulto misturam-se às pessoas comuns do imaginário de Jachmenev, à medida que sua memória vai aproximando os dois momentos mais importantes de sua vida, aquele em que conquistou o amor de sua vida e aquele em que está prestes a perdê-lo de forma definitiva.

Resenha
Uma coisa que sempre me chama atenção nos livros de Boyne é a narrativa coerente com a idade do personagem e o uso de fatos históricos em sua trama. Em O Menino Do Pijama Listrado, a história é apresentada do ponto de vista do garoto de 8 anos, com toda a sua inocência. Já no Palácio De Inverno, a narrativa é alternada entre dois estágios da vida do protagonista, Geórgui Jachmenev. O início do livro o mostra já em idade avançada, prestes a perder Zoia, sua esposa. Sua narrativa demonstra sabedoria e reflexão. Pouco depois o vemos mais novo, um adolescente russo comum cujas ações lhe colocaram no meio da vida do último czar da Rússia. O autor moldou a sua história com fatos reais, misturando a realidade com a ficção, de tal forma que chega a confundir onde começa e termina suas invenções. A realidade se encaixa de tal jeito a sua história, que cheguei a pesquisar sobre o czar Nicolau II e sua família. 

O garoto Géorgui observa de perto a revolução russa. Enquanto muitos vêem o czar como inimigo, o nosso personagem não o julga. Mas, apaixona-se pela filha do czar, Anastácia, e podemos ver nesta a fidelidade ao pai e o sofrimento de sua família. Como nos seus outros livros, Boyne não expõe alguém como culpado, ao invés disso, apresenta o outro lado da história e nos deixa com nossas conclusões. Estudando a história russa, vemos como o governo dos czares explorava a população. No “Palácio de Inverno” percebemos outro ponto de vista. Neste, personagens históricos mostram-se humanos, com suas próprias qualidades e defeitos. 

A narrativa alternada apresenta alguns mistérios, que instigam a leitura. Mas todos são revelados, sem deixar dúvidas ao leitor. É possível deduzir um tanto destes mistérios, mas o desenrolar da história é tão fascinante que isto não desanima. O livro também apresenta uma pitada de romance, não daquele meloso, mas do tipo que faz Geórgui arriscar-se para salvar a amada, que mesmo não sendo perfeita, é idolatrada por ele. Zoia é uma mulher perturbada pelos acontecimentos do seu passado. 

É um livro complexo, com uma história envolvente, muito bem elaborada. Imagino que muitos queiram ler este livro por conhecerem o sucesso do autor com O Menino do Pijama Listrado. Contudo ambos diferem-se bastante. O Palácio de Inverno não tem tanta popularidade, mas creio que a mereça, pois é visível ser fruto de muito estudo e preparação do autor. O livro de grande sucesso de Boyne é simples, inocente e direto. Enquanto no outro não encontramos estas características, apesar de ambos serem profundos, cativantes e um tanto quanto perturbadores em aspectos distintos. O Palácio de Inverno é para aqueles que gostam de romances históricos e estes provavelmente não se decepcionarão.